A melhor versão precisa de golos

DESAFIO Nuno Espírito Santo garantiu que o FC Porto que pretende ainda está por vir. Mas há, afinal, muito para melhorar?

Benfica chegou ao final do último campeonato com uma percentagem de posse de bola superior à que o FC Porto tem atualmente, mas a grande diferença está mesmo na eficácia: as águias remataram menos, mas marcaram 2,6 golos por jornada

Portistas ainda faturam a uma média inferior à da maioria dos vencedores das principais ligas europeias em 2015/16. Maior eficácia e o mesmo rendimento defensivo revelarão o melhor dragão

A versão melhorada deste FC Porto, que Nuno Espírito Santo prometeu ainda para esta temporada, terá forçosamente de incluir o aumento dos índices de eficácia. O FC Porto precisa de marcar golos. Essa é, pelo menos, a principal diferença entre o rendimento dos dragões esta época e o que apresentaram os campeões das principais ligas europeias em 2015/16. Os portistas até têm uma boa média de remates por jogo, mas a finalização é um problema que precisa de ser corrigido, uma vez que a média de golos marcado sé inferior àdequ ase todos os vencedores desses campeonatos. Só os ingleses do Leicester faturaram menos, mas também tiveram menos iniciativa de jogo do que a maioria dos adversários e, como tal, acabaram por disparar em menor número. Para chegar ao nível médio, a equipa de Nuno precisa de, pelo menos, mais meio golo por jogo. Mas, para chegar ao nível do Benfica, até precisa mais do que isso (0,7).

Apesar de o domínio de jogo com bola ser inferior ao de campeões como Bayern Munique (Alemanha), Paris Saint-Germain (França) ou Barcelona( Espanha ), pelo facto de Nuno preferir um estilo que privilegia as transições e a velocidade de execução, o FC Porto até consegue rematar mais do que os franceses ou os espanhóis. Os azuis e brancos atiram a uma média de 16,2 por jogo (menos 2,2 do que fizeram os alemães), mas acertam menos vezes na baliza do que os três. O local do remate ou a precipitação na escolha do momento certo para disparar, própria de quem tem um dos ataques mais jovens da Europa, ajuda a explicar tais diferenças. O Benfica, por exemplo, fazia apenas 12,7 remates por jornada, mas acabou a I Liga como uma média de golos de 2,6, muito idêntica à do PSG e superior à do Bayern.

Nos demais parâmetros, o FC Porto apresenta números de topo ou próximos dele. Principalmente na vertente defensiva. A média de golos sofridos que leva atualmente é mesmo a melhor neste comparativo, a par do que apresentaram Bayern e PSG, que passaram mais tempo com a bola em seu poder. A agressividade que revelam no processo defensivo, como se percebe pelo número de faltas cometidas, é uma das formas que encontram para parar os adversários, embora também tenham médias de desarmes e interceções mais elevadas do que a maioria. Tudo isso leva a que Casillas tenha encontros bastante tranquilos, uma vez que os remates consentidos a cada 90 minutos são apenas 7,8 (só três décimas pior do que o Bayern Munique). E por aqui também passará a melhor versão do FC Porto.

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Leicester é antítese dos campeões

Foi com um estilo de jogo mais associado ao calculismo e contragolpe dos italianos do que à audácia e entusiasmos dos ingleses que o Leicester surpreendeu o mundo em 2015/16. Entre os campeonatos europeus que analisámos, ninguém ganhou com tão poucos golos marcados (68). Nem mesmo o Bayern Munique (80) ou o Benfica (88), que disputam ligas com menos jornadas (só 34) do que a equipa de Claudio Ranieri (38). A grande virtude dos “foxes” esteve na eficácia e na capacidade defensiva, já que terminaram com a segunda melhor defesa da prova.

“Eficácia é uma questão psicológica”

Qual é a vertente do jogo que o FC Porto precisa de melhorar? —Independentemente do modelo, a qualidade de jogo do FC Porto está a crescer, mas falta-lhe ser mais feliz na finalização. Um bom exemplo foi o último jogo, com o Benfica, no qual o FC Porto foi melhor em quase todo o tempo e acabou por perder pontos. O futebol fazse de regularidade e a finalização é muito importante para quem precisa de vencer sempre. O problema corrige-se apenas com trabalho ou é uma questão psicológica? —Não acredito que existam treinadores que não trabalhem a finalização. Por isso, acredito que é mais uma questão psicológica. O FC Porto tem jogadores com uma grande qualidade individual, pelo que poderá apenas ser necessário levá-los a acreditar que podem conseguir o que se pede. Há fases em que os jogadores estão menos confiantes ou ansiosos para concretizar as ações. Pressionar não ajuda a fazer regressar o seu verdadeiro rendimento. O que é que o FC Porto não deve mudar se quiser ser campeão? —Independentemente de manter o rendimento defensivo ou marcar mais golos, o FC Porto precisa de voltar a ter a intensidade e agressividade de outros tempos. Nasci a ver o FC Porto a ganhar quatro em cada cinco campeonatos, ou algo parecido, e tudo porque tinha uma componente física e mental muito forte. Antigamente, os rivais abordavam os jogos para não perder, agora tentam ganhar. Por isso, precisa é disso: de ser um FC Porto ‘à Porto’.

FONTE/ OJOGO