“Aproveito para felicitar Pinto da Costa pela absolvição no Apito Final”

Jorge Roza de Oliveira, embaixador de Portugal no México, abriu as portas da residência oficial para receber a reportagem de O JOGO e destacou a importância do FC Porto para aquele país

Quatro mexicanos na equipa principal são representantes do México em Portugal, mas o que o FC Porto faz e promove, especialmente nesta inédita visita à América do Norte, é mais do que uma ação de charme retributiva e antes uma das maiores ações promoção que Portugal fez pelo México. Marcelo Rebelo de Sousa, o Presidente da República, está, por estes dias, na Cidade do México em visita diplomática oficial. E apesar de a visita durar menos de 48 horas, aproveitou ontem de manhã para visitar a comitiva portista. É precisamente por ter estado ocupado com a organização da visita presidencial que Jorge Roza Oliveira não conseguiu estar com a equipa do FC Porto, um programa que lhe “agradaria muito”, mesmo sendo um confesso benfiquista. Falamos do embaixador de Portugal na Cidade do México. Esse mesmo, o oficial, que não tem problema algum em agradecer a ajuda que o FC Porto, uma espécie de embaixador social, dá desde que contratou os primeiros mexicanos (Herrera e Diego Reyes), no verão de 2013. “O FC Porto tem tido um papel importante na promoção de Portugal no México”, reconhece, pouco depois de nos receber na residência oficial, a 2500 metros de altitude, entre as Montanhas Rochosas e o Monte dos Apalaches. A Rua dos Alpes (o nome vem mesmo a propósito) é a sede das principais embaixadas mundiais no México. A porta da portuguesa abriu-se para a reportagem de O JOGO.

Jorge Roza de Oliveira esteve alguns anos na Índia e mudou-se “com muito prazer” para o México há cerca de ano e meio, já o FC Porto levava dois e meio a operar. “Bebem café, água ou tequilha?”, perguntou-nos, amável e perfeitamente adaptado à cultura mexicana. O embaixador deixou-nos à vontade e insistiu até para almoçarmos consigo e com a Missão Portuguesa que antecedeu a chegada de Marcelo Rebelo de Sousa.

E se o Presidente da República está no México, já a ausência de Pinto da Costa foi notada. Mesmo assim, Jorge Roza de Oliveira aproveitou, através de O JOGO, para enviar uma mensagem ao presidente do FC Porto. “Aproveito para felicitar Jorge Nuno Pinto da Costa pela absolvição no Apito Final”, vincou, antes da entrevista, propriamente dita, lamentando de novo não ter estado com os dragões. “E eu tenho muita pena de falhar. Estive com duas delegações portistas há uns meses, primeiro num projeto para a Academia, depois na apresentação desta prova. Mas agora, tenho de acompanhar o Presidente da República”, completa.

Academia, camisolas e transmissões televisivas

Antes de continuarmos, o esclarecimento. “Eu sou do Benfica. Mas metade da minha família está no Porto e uma familiar até já ganhou o Dragão de Ouro para funcionária do ano. As coisas não se misturam”, sublinhou. Diplomata é diplomata. “O FC Porto está a fazer o que deve fazer, que é aproveitar o facto de ter sete mexicanos. É fantástico. E há um leque de projetos que solidificam o clube no México e o distanciam dos demais. Já vendem equipamentos oficiais, os jogos, até os particulares, são transmitidos para cá e agora até vai abrir uma Academia aqui na cidade. E isso tem muito mais valor do que vender camisolas. Esta é uma cidade onde dormem nove milhões de habitantes e trabalham 14 milhões. Ter uma implantação destas aqui é fantástico”, reconhece, lembrando que nem sempre os clubes portugueses aproveitam os nichos de mercado como o devem fazer. “Quanto estava na Índia, por exemplo, houve esforços do Sporting para aproveitar aquele mercado. Contrataram até o capitão da seleção (Sunil Chhetri), que nunca jogou na equipa principal. A certa altura ficou sem receber nada e voltou à Índia com uma péssima impressão”, contou, em jeito de exemplo.

Fonte: OJOGO