BRAHIMI DE EFEITO TOTAL

REGRESSO Marca do argelino é também mental: reforça confiança da equipa e destrói o adversário. Quem o sentiu, sabe do que fala

Números do FC Porto na I Liga são muito melhores com o virtuoso jogador em campo. A diferença vem do que desequilibra no 1×1 e na confiança que dá aos colegas para jogar. Com ele, a crença aumenta

Há dados objetivos que não deixam desmentir a opinião geral: o FC Porto com Brahimi tem mais força do que sem ele. O regresso do argelino às opções regulares de Nuno Espírito Santo coincide com a melhoria coletiva, com a sequência de bons resultados e a aproximação ao Benfica. “É um facto real. Mas a leitura terá de ser maior. Há um conjunto de fatores e esse é um dos fatores”, acredita Jorge Simão, com quem conversámos a esse propósito. Masjálheexplicamosporquê. Para já, importa continuar a contextualizar. Coincidência ou não, o FC Porto com Brahimi em campo, é muito melhor em qualquer índice ofensivo, sem menosprezo da solidez defensiva, que não se altera. O FC Porto marca mais um golo por jogo com o argelino e, contas feitas, até teria 76 pontos por esta altura se o virtuoso magrebino tivesse participado nos 31 jogos deste campeonato. É que nos 19 em que jogou, o FC Porto somou 2,47 pontos por jogo, em média, contra apenas 2,08 nos 12 que o argelino viu do banco, da bancada ou pela televisão. A tabela ao lado é clara. O FC Porto é mais forte com Brahimi. “Fundamentalmente porque Brahimi é do tipo de jogador que lança o caos e provoca a desconcentração dos adversários em determinados momentos do jogo”, acredita Quim Machado, outro dos treinadores que, como Jorge Simão, defrontou o FC Porto nas duas versões. Simão até conseguiu dois empates (0-0 em Chaves, 1-1 em Braga). Machado empatou contra um Dragão sem Brahimi e perdeu 3-0 quando o apanhou. A força técnica de Brahimi é tremenda. Mas a mental também. Não a que tem, mas a que faz os outros ter. “Em equipas como o FC Porto, quando o tempo passa e o jogo se mantém 0-0, os jogadores passam a acreditar que será um lance individual a resolver. E com Brahimi essa crença aumenta. Ou, sem ele, diminui. Para o adversário, a preocupação também é diferente. Começa logo quando se vê a ficha de jogo. É um alívio para os treinadores não defrontarem esse tipo de jogadores, que farão em determinado momento com que a equipa se desorganize”, confirma Quim Machado. “O desgaste de levar com um jogador destes é difícil de aguentar. Porque a cada 1×1 tem de haver um reajuste dos colegas, que têm de sair de outras zonas. Com o passar do tempo perde-se a concentração, porque ter que ir tapar um buraco, guardar as costas do colega… perde-se a concentração em determinados lances e isso pode valer o golo do FC Porto”, completa o antigo treinador do Belenenses. “Concordo com essa ideia”, acrescenta Simão, que valoriza também muito a confiança das equipas na abordagem aos jogos. “Acho muito importante. Fundamental. Tem um peso grande”, vinca. E até conta uma história, que o exemplifica. “Uma vez, ia para dois jogos decisivos e perdemos um dos melhores jogadores. E eu senti no resto da equipa um desânimo grande. Sem que ninguém tivesse dito nada, percebeu-se nas expressões corporais e faciais. Sem que ninguém diga nada, sente-se. Os jogadores pensam que estão sem aquela força toda e há aquele impacto emocional que prejudica. E acho que mais relevante para quem vai desfalcado, do que para o adversário, que se sente mais confiante. As duas coisas acontecem, mas é maior a perda do que o ganho”, resume.

Precisamente por isso é que Brahimi é que forçaram a ausência de Brahimim, intenção era para que o Benfica fosse praticamente o campeão , era para que fossem a vila do conde a jogar a vontade ,estavam esperando que o Porto caísse em chaves . Na minha opinião tudo que se tem passado com os roubos ao Porto estão em comunhão com a comicao e o concelho de disciplina dos árbitros . Há um velho ditado que diz , quem cala consente ,quem consente tem acordo com o interessado no roubo ,vejam o que se passava com Al Capone ,muita gente sabia que as polícias eram conivente com os bandidos ,os juízes não prendiam os corruptos e bandidos porque eles próprios eram corrompidos também . Fácil de ver . Com a entrevista feita a secretaria da liga diz que também este organismo esta conivente com o Benfica também ,há muita porcaria com vontade de fazer dos corruptores o único grande clube português .
Está na hora de realmente fazer acordos com outros clubes e lutar contra isto ,de outra maneira a liga passar-se há realmente a chamar-se Liga Salazar ,por enquanto é a a liga das mentiras .

ANJO E DEMÓNIO

Factor imprevisibilidade

A qualidade no 1×1 e a amplitude de soluções aniquilam qualquer organização. “Faz aquilo que sobre o qual o adversário não pode trabalhar”, aponta Quim Machado

Alex Telles potenciado

O antigo treinador do Belenenses vê Alex Telles melhorar muito com Brahimi: “Dá-lhe espaço para chegar à linha de fundo e cruzar sem oposição. E ele fá-lo muito bem”

Confiança e moral da equipa

O antigo treinador de Chaves e Braga acredita que a confiança “é fundamental” no jogo. “E com os melhores em campo, a equipa sente-se mais forte e remde mais”, explica

Desânimo e medo no adversário

Quim Machado assume que quando viu uma ficha de jogo sem Brahimi, o seu Belenensesse sentiu “aliviado”

“Consegue desfazer a defesa”

Jorge Simão
Ex-treinador de Chaves e Braga

“Brahimi tem características muito particulares na sua relação com a bola. Nós não tivemos preocupações especiais. Mas achei importante que o jogador que mais contacta com ele tivesse uma preparação diferente, porque as características dele são diferentes e perceber quais os espaços a fechar, os espaços a dar, os momentos certos para o desarmar é fundamental. Com ele, evitar situações de 1×1 é fundamental, porque no 1×1 ele consegue desfazer as defesas. Mas com dois jogadores na cobertura, a equipa já perde alguém. Corona e Jota também o podem fazer. Mas a capacidade de Brahimi será maior. E depois há a confiança. No jogo, acho isso muito importante.”

“Crença aumenta, preocupação idem”

Quim Machado
Ex-treinador do Belenenses

“O FC Porto é mais previsível sem Brahimi. Com ele ganha um jogador fortíssimo no 1×1, que acrescenta sempre o imprevisto. Além disso, ocupa espaços interiores e abre o corredor para o Alex Telles. Acrescenta aquilo sobre o qual o adversário não pode trabalhar no pré-jogo e isso é fundamental. Corona também faz isso, mas o peso de Brahimi é maior. Em equipas como o FC Porto, quando o tempo passa, os jogadores passam a acreditar que será um lance individual a resolver. E com Brahimi essa crença aumenta. Para o adversário, a preocupação também é diferente. E o desgaste de levar com um jogador desses, provoca desconcentrações que, às vezes, são fatais”

Fonte: FC Porto