Caso Vouchers: Benfica teve acesso privilegiado a depoimentos dos árbitros, segundo a SABADO

Depois da Liga ter aberto um inquérito, em Outubro de 2015, resposta preparada pela APAF para os árbitros chegou a Paulo Gonçalves a 7 de Novembro. Luís Filipe Vieira prestou declarações quatro dias depois.

Quatro dias antes de prestar depoimento na Comissão de Instrução e Inquéritos da Liga sobre o caso dos vouchers, o presidente do SL Benfica, Luís Filipe Vieira, muito provavelmente já saberia o que é que os árbitros testemunharam acerca daquela matéria. Tudo porque no mesmo dia em que a Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol enviou para os associados uma “resposta-tipo” para ser entregue à CIIL, o documento chegou a Paulo Gonçalves, assessor jurídico da SAD do Benfica.

De acordo com a reconstituição feita pela SÁBADO, depois de, em Outubro de 2015, a CIIL ter aberto um inquérito ao caso, denunciado pelo presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, a 7 de Novembro daquele ano a APAF enviou para árbitros, árbitros assistentes, segunda categoria, estagiários e observadores uma “sugestão de resposta” à CIIL. “Os árbitros e assistentes solicitaram à APAF aconselhamento jurídico, no seguimento de um pedido da Comissão de Inquéritos da Liga”, explicou à SÁBADO José Fontelas Gomes, então presidente da associação, actual presidente do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol.

O documento chegou naquele mesmo dia ao email de Paulo Gonçalves, que o reencaminhou para Ricardo Costa, consultor da Abreu Advogados e antigo presidente da Comissão de Disciplina da Liga. No processo dos vouchers, Luís Filipe Vieira prestou declarações na CIIL a 11 de Novembro de 2015.

Na passada sexta-feira, a SÁBADO enviou pedidos de esclarecimento a Ricardo Costa e Paulo Gonçalves. O primeiro optou por não responder. O assessor jurídico do Benfica fez saber, segunda-feira à noite através do director de comunicação, Luís Bernardo, que responderia, caso as suas declarações fossem publicadas na íntegra. A SÁBADO comprometeu-se a publicá-las na sua totalidade no site, o que foi recusado por Luís Bernardo.

Revista: SABADO