Conselho de Disciplina assume erro ao não castigar Coentrão

O Conselho de Disciplina admitiu ter cometido um lapso na apreciação disciplinar a Fábio Coentrão

O presidente do Conselho de Disciplina (CD) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) admitiu que este órgão cometeu um lapso na apreciação disciplinar ao jogador do Sporting Fábio Coentrão no jogo com o Vitória de Setúbal.

Em comunicado, José Manuel Meirim refere que no relatório do delegado da Liga ao jogo Vitória de Setúbal-Sporting (1-1), da 19.ª jornada da I Liga, “vem mencionado expressamente que o banco do visitante foi danificado pelo jogador n.º 5 (Fábio Coentrão) do Sporting”.

O dirigente acrescentou que aquele relatório vinha acompanhado de um acordo de reparação de danos e que, com base nisso, “entendeu-se, mal, não existir responsabilidade disciplinar do jogador”.

O presidente do CD justificou que essa decisão foi tomada “numa aplicação analógica e incorreta de princípio que, em algumas situações, vale para os clubes aquando do comportamento do público – artigo 187.º, nº 5, do RDLPFP -, resultante de falha de comunicação interna no procedimento de análise dos relatórios e aplicação de eventuais sanções disciplinares com base nos factos ali descritos”.

“No caso em apreço era – e é – irrelevante haver ou não acordo de reparação de danos, para efeitos de cometimento de infração disciplinar pelo agente desportivo que os causa”, refere ainda José Manuel Meirim, que finaliza a nota frisando que esta se prende “com a necessidade de repor a verdade e, nesse sentido, afastar a responsabilidade pelo lapso cometido de quaisquer outros agentes desportivos, no caso os delegados da LPFP”.

No mapa de castigos relativo ao encontro da 19.ª jornada frente ao Vitória de Setúbal, disputado em 19 de janeiro, não veio qualquer referência em relação ao incidente com o jogador, tendo este apenas sido referido devido ao cartão amarelo que lhe foi mostrado no decorrer da partida.

Posteriormente, o treinador do FC Porto, Sérgio Conceição, foi multado em 804 euros por ter partido com a mão o acrílico do banco de suplentes no jogo Moreirense-FC Porto (0-0), da 20.ª jornada e disputado em 30 de janeiro último.

Leia o comunicado na íntegra:

“1. No passado dia 3 de fevereiro, na newsletter Dragões Dário, disponibilizada pela Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD, fez-se alusão a uma eventual disparidade de decisões disciplinares, apontando que a mesma se deveu à diferença do constante em relatórios dos delegados da Liga Portuguesa de Futebol Profissional. Cumpre prestar público esclarecimento e, no caso, assumir as responsabilidades que são devidas – não aos delegados da LPFP – mas ao Conselho de Disciplina, em rigor, ao seu Presidente.

2. As decisões sumárias do Conselho de Disciplina são tomadas no final de cada jornada, tendo por base, entre outros documentos (por exemplo, o Relatório do Árbitro), o Relatório de Delegado da LPFP.

3. No Relatório de Delegado da LPFP, relativo ao jogo Vitória FC – Sporting CP (19ª jornada da Liga NOS), disputado no dia 19 de janeiro de 2018, vem mencionado expressamente que o banco do visitante foi danificado pelo jogador nº 5 do Sporting CP.

4. Este relatório é acompanhado de um acordo de reparação de danos, onde aqueles danos se encontram inscritos.

5. Com base na existência deste acordo entendeu-se, mal, não existir responsabilidade disciplinar do jogador, numa aplicação analógica e incorrecta de princípio que, em algumas situações, vale para os clubes aquando do comportamento do público – artigo 187.º, nº 5, do RDLPFP -, resultante de falha de comunicação interna no procedimento de análise dos relatórios e aplicação de eventuais sanções disciplinares com base nos factos ali descritos.

6. Ora, no caso em apreço era – e é irrelevante – haver ou não acordo de reparação de danos, para efeitos de cometimento de infração disciplinar pelo agente desportivo que os causa.

7. Este comunicado prende-se com a necessidade de repor a verdade e, nesse sentido, afastar a responsabilidade pelo lapso cometido de quaisquer outros agentes desportivos, no caso os delegados da LPFP.”

Fonte OJOGO