Corona foi a chave da fórmula

TÁTICA Nuno considerou que o FC Porto está no caminho certo e os adeptos e treinadores ouvidos por O JOGO concordam. O mexicano foi a pólvora

O mexicano acelera a equipa, sem que esta perca solidez no meio-campo. Diogo Jota a jogar como Derlei com Mourinho também é “decisão acertada” e para manter, defendem

“O caminho é o que vimos com o Benfica”. A convicção de Nuno Espírito Santo, expressa na longa entrevista dada na quinta-feira, merece o aplauso dos adeptos do FC Porto e a concordância dos treinadores que O JOGO consultou. A aposta numa mistura entre o 4x3x3, que é imagem de marca do clube há vários anos, e o 4x4x2, que se vê quando Diogo Jota, mais descaído para uma ala, faz movimentos interiores, como Derlei fazia com José Mourinho, está aprovada. Mas é, sobretudo, a colocação de Corona do outro lado, a dar profundidade, que mais é apontada como fundamental para que a máquina portista produza mais e melhor. Otávio como médio criativo é também uma aposta que todos defendem merecer continuidade.

Na prática, a entrada de Tecatito no onze ajudou a encontrar aquela que pode ser considerada a fórmula certa para este FC Porto. “Não sei se esta é a equipa ideal, mas é a que me parece mais equilibrada no todo, a mais competente”, considerou Carlos Brito, neste momento sem clube. “Tenho visto um FC Porto com duas caras, uma melhor e outra pior. Contra o Benfica foi uma equipa refinada e a jogar em velocidade”, acrescentou Álvaro Magalhães, atual treinador do Gil Vicente. “Com Corona houve mais capacidade para jogar nos corredores, maior profundidade”, sublinhouFranciscoChaló,ex-treinador do Covilhã.

Os adeptos portistas concordam que nuance tática introduzida no clássico é a que melhor se adequada à equipa. Prova disso é que foi dessa forma que a equipa fez a melhor exibição da época. Nos jogos mais difíceis, na Europa ou com o Sporting e o Benfica fora de casa, poderá fortalecer o meiocampo com Herrera ou Rúben Neves”, frisou o modelo Rúben Rua. “O André Silva a jogar sozinho tem mais rendimento”, sublinha Jorge Amaral, enquanto Pedro Marques Lopes concorda com Nuno. “A partir do Nacional a equipa es-

tabilizou e está em crescendo”. Considera o comentador político que, depois de Setúbal, “o treinador percebeu que omeio-campocommenosum jogador de proteção [Herrera] não compromete a solidez e dá outra perspetiva para o ataque. A melhor solução tática é com Jota mais na ala, jogando para dentro, do que aparecendo como avançado ao lado do André Silva. E com o Otávio atrás, com o apoio do Óliver”, explicou.

Na prática, todos defendem que o FC Porto tem maior rendimento se André Silva jogar mais fixo na área. É atualmente o melhor ponta de lança do futebol português”, defende Álvaro Magalhães. Diogo Jota a partir da esquerda para o meio também é consensual, assim como a aposta em Otávio em zonas mais interiores.

DADO 2

Diogo Jota estreou-se a titular na Choupana. Desde então, o FC Porto ganhou cinco jogos e empatou dois. marcou 14 golos e sofreu apenas dois

Menos desgaste para os laterais

A mudança para o 4x3x3 tradicional, em boa parte do tempo, beneficiou a equipa no seu todo e, em particular, os dois laterais do FC Porto. “Com o Diogo Jota junto ao André Silva exigia-se em demasia aos laterais porque eram apenas eles que davam profundidade ao jogo da equipa”, refere Pedro Marques Lopes. “Nesse particular o FC Porto está bem com o Maxi, o Alex Telles e o Layún que é um enorme jogador, não só porque defende bem mas porque ataca ainda melhor e faz assistências”, considera Rúben Rua.

FONTE/ OJOGO