Em entrevista ao Porto Canal, Soares falou sobre os dois primeiros jogos pelo FC Porto

Soares: os golos ao Sporting e a aposta com Raphinha

Em entrevista ao Porto Canal, Soares falou sobre os dois primeiros jogos pelo FC Porto, em que marcou três golos, e da estreia na Liga dos Campeões, que se avizinha.

Jogo com o Sporting: “Quando fiquei a saber que ia jogar foi uma surpresa, mas procurei ficar tranquilo pela camisola, pela grandeza do FC Porto. Procurei focar-me no jogo, ouvir o meu treinador e foi uma coisa fantástica para mim estrear-me frente ao Sporting. Foi um sonho para mim mesmo, um sonho que virou realidade. Esse momento especial vai ficar na minha vida para sempre”.

Primeiro golo: “Quando eu entro e faço um golo agradeço a Deus pelas coisas que tem feito por mim. O que eu penso é na minha família. Em Paraíba foi festa, em Sousa e em Natal. Recebi muitas mensagens, foi fruto do meu trabalho, estávamos a merecer este momento”.

Lágrimas da mãe: “A minha mãe e o meu pai sabem as dificuldades que nós passamos. A minha mãe chora por qualquer coisa. Não tenho o que falar dos meus pais, sempre me apoiaram em tudo e são os meus heróis”.

Objetivos no FC Porto: “Estamos focados, a trabalhar jogo a jogo e todo o mundo está feliz. Quem trabalhar com essa determinação, vontade e ambição de querer vencer e lutar vai ter êxito na frente e espero que aqui não seja diferente. Vamos lutar em cada treino, cada bola perdida e no final vamos comemorar se Deus quiser”.

Seleção: “Todo o jogador brasileiro quer vestir a camisola da seleção, é um sonho de criança. Agora, eu tenho de pensar no meu trabalho, ajudar o FC Porto. Se um dia aparecer essa oportunidade vou agradecer a Deus e trabalhar mais ainda”.

Regresso a Guimarães com direito a golo: “O meu amigo Raphinha disse que se eu não marcasse pagava o jantar, se eu marcasse ele pagava o jantar. Vou ligar para ele pagar”.

Regresso com emoção? “Fui muito feliz no Vitória, fui bem recebido, um clube ‘bacana’, totalmente profissional, foi uma semana normal. Quando cheguei ao FC Porto não fiquei a pensar no Vitória, vivo o momento, então fiquei muito feliz em fazer o golo, mas não comemorei por respeito ao Vitória”.

Novamente o FC Porto: “É uma grande camisa, um grande clube, fico feliz em ter feito os três golos, em ajudar a equipa”.

Sobre o próximo jogo, com o Tondela: “Após um jogo difícil, vamos trabalhar bem para o jogo com o Tondela”.

Champions: “Sonho realizado, sonho de criança. Ouvia a música da Champions pela televisão e arrepiava-me. Mas temos de pensar mais no Tondela, se eu entrar em campo é um sonho realizado para mim.

Os gostos e os amigos de Soares: “Todo o mundo é dragão

O avançado do FC Porto revela que a sua transferência para influenciou os amigos de infância e levanta o véu sobre o seu dia a dia em Portugal.

Rotina: “O meu dia a dia é jogar videojogos, treinar, brincar com o meu filho. Ainda não conheço nada da cidade, estou a adaptar-me”.

Gastronomia: “Bacalhau é bom, arroz com feijão. Baião de dois? Só a receita da minha mãe. É o meu preferido, é uma mistura de arroz com feijão, queijo”.

Música preferida: “Gosto de música sertaneja, gosto de Wesley Safadão, forró…”

Amigos de infância: “As dificuldades lá são grandes. Quando eu não tinha chuteiras era mau de mais, não ter o material adequado, tenho lá amigos que me pediram chuteiras e eu falei com todos os meus companheiros e arrumamos as chuteiras no Vitória de Guimarães. Hoje é todo o mundo dragão, todo o mundo FC Porto. Está todo o mundo a torcer por mim e pelo FC Porto”.

Percurso: “A minha história só pára quando Deus permitir. Quero ter esta camisola por muitos anos, vou dar a minha vida pelo FC Porto, vou honrar essa camisola e levá-la no meu coração”.

Soares: o sacrifício dos pais e a origem da alcunha Tiquinho

Origem e comparação com HulK: “Sou do interior da Paraíba, já ouvia falar da comparação com o Hulk, mas não tem nada a ver. Ter espírito sertanejo é ser humilde”.

Luta pelo sucesso: “Para ter oportunidade é preciso mostrar as suas origens e comigo não foi diferente. Quem deseja um dia ser jogador de futebol tem de passar por todas as barreiras e dificuldades do mundo do futebol e eu batalhei muito para chegar onde cheguei”.

Sacrifício dos pais: “Sempre tive de ajudar os meus pais. Éramos muito humildes. O meu pai era pedreiro, trabalhava com ele, com a minha mãe, vendia sacolé e isso foi-me motivando. Quando não trabalhava batia a minha peladinha. Quando tinha jogo no meu bairro, a minha mãe fazia gelados e eu ia vendê-los. Eu e a minha irmã íamo-nos virando para ajudar. Eles são tudo para mim. Devo tudo aos meus pais”.

Motivação: “Quando eu olho para o meu passado e para o passado da minha família isso motiva-me para continuar a trabalhar e a buscar os melhores objetivos. O meu sonho sempre foi futebol, vivia futebol, dormia e acordava com o futebol. Não comia por causa do futebol”.

Tiquinho: “A minha infância toda foi em campo pelado e de terra. Nessa altura, chamavam-me Tiquinho, desde a minha infância, tanto em Natal como em Sousa. Tiquinho? Não sei. Eu era magro e cresci demasiado e mudaram para Soares. Quem me colocou a alcunha foi a minha mãe”.

“André Silva? É um menino com um coração enorme”

Soares admite-se “feliz” por fazer dupla com o internacional português no ataque do FC Porto e deixa elogios ao colega de equipa.

Soares está “feliz” por ter André Silva como companheiro na frente de ataque do FC Porto. Em entrevista ao Porto Canal, o avançado brasileiro teceu rasgados elogios ao internacional português, apelidando-o de “gente boa”:

“É gente boa, um menino com um coração enorme, trabalha muito, está a toda a hora a corrigir-se. Fico feliz em fazer dupla com ele. Espero que a gente possa jogar mais vezes e entrosar mais para ajudar o FC Porto. Eu o André cobramos isso, em marcar, em ajudar. A marcação já começa na frente”, rematou Soares.

Fonte: Ojogo