Escola do golo

Holandês que formou André Silva, Gonçalo Paciência e Rui Pedro conta como fez

“Os avançados trabalhavam semanalmente mais de 200 vezes alguns exercícios de finalização e controlo de bola para que surgissem em boas situações para marcar” “A idade não foi uma barreira no desenvolvimento deles. Se tinham qualidade, tinham idade suficiente”

Escassez de opções levou os portistas até André Silva (Salgueiros) e Rui Pedro (Paivense), que, com Gonçalo, cumpriram vários exercícios para acelerar a evolução. Pepijn Lijnders conta tudo a O JOGO

Tantas vezes considerado uma posição deficitária, o ponta de lança surgiu em força nos últimos tempos. O aparecimento repentino de André Silva, Gonçalo Paciência e, mais recentemente, Rui Pedro levantou a questão: como se explica que o FC Porto seja o clube que mais avançados fornece à Seleção Nacional desde 1980? A resposta é simples: uma prospeção intensiva e um treino especializado que, no caso destes três jovens, foi realizado ao abrigo do projeto “Potencial Jogador de Elite”. Pepijn Lijnders, então responsável pelo desenvolvimento individual dos atletas dos dragões, abriu as portas do Olival e explica tudo a O JOGO sobre a fábrica de pontas de lança.

Com exceção de Gonçalo, que entrou diretamente para a formação do FC Porto, André Silva e Rui Pedro surgiram nos dragões na sequência da escassez de soluções para a posição. O problema foi levantado nas três reuniões de avaliação que, anualmente, o diretor técnico da formação tem com os coordenadores de cada escalão. Isso levou a uma procura intensiva, mas existiu a preocupação de evitar jogadores com potencial valor para o mesmo escalão, de forma a que um não anulasse o outro. Assim se explica que os três estejam separados quase sempre por dois anos. Potencial Jogador de Elite apurou instinto A criação do projeto “Potencial Jogador de Elite” (PJE) acabou por ser crucial para aperfeiçoamento dos três. O objetivo do projeto, de acordo com Pepijn Lijnders, agora adjunto de Jurgen Klopp no Liverpool, foi “acelerar a evolução dos atletas”. “Os avançados trabalhavam mais de 200 vezes alguns exercícios de finalização e controlo de bola ao longo da semana para que surgissem em boas situações para marcar”, conta a O JOGO o holandês, que detalhou o tipo de treino realizado. “Oitenta remates na direção de balizas pequenas, só para que sentissem a sensação de marcar. Depois, trabalhava-se todas as características: assistências de cabeça, cabeceamentos para golo, remates de primeira, situações de um para um com o guarda-redes, pontapés de bicicleta, chapéus, remates de segunda linha…”, enumerou.

Uma das preocupações do PJE foi também que André Silva, Gonçalo e Rui Pedro se desafiassem entre si. “A idade não foi uma barreira no seu desenvolvimento. Se tinham qualidade, tinham idade suficiente. O talento precisa de modelos, não é de críticas. Por isso, criávamos situações em que um miúdo de 14 anos treinava com um de 17”, explica. O objetivo era simples: a criação de uma mentalidade de clube, para que, quando estivessem no plantel principal, o conhecimento entre os dois fosse profundo. Depois, era só esperar por uma oportunidade. André Silva já a teve e está a justificar a confiança de Fernando Santos. Gonçalo e Rui Pedro podem ser os seguintes.

Fonte: Ojogo

Imagem: Alberto Fernandes