“Estarei aqui enquanto me quiserem”

Na ressaca do clássico, o mexicano garantiu estar muito satisfeito no FC Porto e que não pensa numa transferência. Deixa o futuro nas mãos dos portistas

“Estou muito contente. Gosto do clube, gosto da cidade e das pessoas daqui” “Eu sempre disse: não é fácil ir para a Europa. Vão olhar para ti como um estrangeiro, mas não deves pensar nisso”
Herrera
Médio do FC Porto

Da página 1 O médio é um dos capitães e Pinto da Costa considerao fundamental. Por isso, recusou vendê-lo no último defeso. O clássico com o Benfica fragilizou a sua situação, mas a vontade de ficar é clara

Na ressaca do clássico com o Benfica, Herrera está ao serviço da seleção do México, afastando-se da torrente de críticas de que tem sido alvo por causa da forma como cedeu canto no lance que daria o empate aos encarnados. À partida para os Estados Unidos, onde o “Tri” via iniciar a participação no torneio de apuramento para o Mundial’2016, o médio não quis falar aos jornalistas e o mesmo sucedeu à chegada. O capitão do FC Porto preferiu proteger-se com o silêncio a explicar o que se passou no domingo. Porém, na semana do clássico, concedeu umaentrevistaaojornal“Cancha”, em que falou sobre a sua situação no FC Porto. Aos 26 anos, Herrera é um dos jogadores mais cotados da equipa. A cláusula é de 40 milhões de euros e no último verão, os dragões recusaram vendê-lo por essa verba, de acordo com o que Pinto da Costa revelou na assembleia geral da semana passada. Além do Nápoles, surgiu também o rumor do interesse do Manchester United, deJoséMourinho.Herreranão se deslumbra. “Vejo isso como um desafio. No México fala-se muito do fracasso quando vens para a Europa. Perguntam sempre se não temos medo de falhar? Tentar nunca pode ser entendido como um fracasso. Sentir-me-ia mais fracassado se não tivesse tentado. Podia ter ficado no México, mais cómodo, no meu país, onde talvez jogasse sempre e fosse querido pelos adeptos, onde o idioma não é problema, nem o frio… Mas prefiro correr este risco e viver esta experiência de poder melhorar, de viver noutro país, de poder jogar contra os melhores. Prefiro aceitar este desafio. Eu sempre disse: não é fácil ir para a Europa. Vão olhar para ti como um estrangeiro, mas não deves pensar nisso. Eu penso em trabalhar, em mostrar aquilo de que sou capaz e que quero estar cá. O risco corremos todos”, explicou.

Porém, a verdade é que o fair play financeiro da UEFA vai obrigar o FC Porto a vender e provavelmente já no mercado de inverno. Herrera assegura que não quer sair. “A verdade é que estou muito contente. Já disse várias vezes, não apenas agora. Gosto do clube, gosto da cidade e das pessoas daqui. Estarei no FC Porto enquanto o clube me quiser. Se decidirem que tenho de mudar de ares, mudarei. Se decidirem continuar a contar com o Herrera, encantado da vida. É uma coisa que não está nas minhas mãos, nem eu queria que estivesse”, sublinhou.

O FC Porto é, nos últimos tempos, um dos pilares da seleção mexicana. Herrera, Corona e Layún são indiscutíveis na equipa orientada por Juan Carlos Osorio.Tecatitoé,aliás, o goleador (quatro golos) com este treinador. E há ainda Diego Reyes, emprestado pelo FC Porto ao Espanhol e, igualmente, convocado para a seleção. A Herrera não surpreende muito que o jogador mexicano seja mais valorizado numa equipa como a dos dragões do que em vários clubes da liga local, mas preferia que isso não acontecesse. “Não devia acontecer, muito menos no México onde há tantos jogadores de enorme qualidade que merecem uma oportunidade. O problema é confiar neles, dar-lhes apoio. Depois, eles farão o seu trabalho. O FC Porto é um claro exemplo. Está a dar oportunidade e eles estão a produzir bastante bem”, destacou o médio.

“Aceito as críticas, sejam boas ou más”

A entrevista de Herrera ao “Cancha” foi dada antes do clássico com o Benfica e a seleção mexicana foi, sem surpresa, o tema principal. Depois de uma Copa América para esquecer – por causa da histórica goleada sofrida com o Chile por 7-0 –, Herrera está consciente de que a pressão sobre Juan Carlos Osorio, o treinador, é muito alta. “O professor sabe que vai ser criticado, mas tem as suas ideias e deve ser respeitado. Que não agrade a todos, tudo bem, porque todos temos pensamentos diferentes. Vamos ser sempre criticados, ainda mais no México. Temos consciência de que estamos expostos a isso, e devemos aceitar as críticas, como eu faço, sejam boas ou más. Devemos tirar o melhor de cada uma e não desvalorizá-las, mas sim ouvi-las para te ajudarem a melhorar”, sublinhou, admitindo que a questão da altitude na Cidade do México – mais de dois mil metros acima da linha de água – pesa nas pernas. “Faço um sprint de 10 ou 20 metros e demoro a recuperar. No FC Porto sinto que recupero muito mais rápido.”

 

FONTE/OJOGO