Francisco J. Marques visa negócios escuros do Benfica com Belenenses, Boavista e até Braga

Diretor de comunicação e informação do FC Porto abordou alguns negócios feitos pelo Benfica com outros clubes do campeonato.

Francisco J. Marques, diretor de comunicação e informação do FC Porto, abordou na noite de terça-feira alguns negócios feitos pelo Benfica com outros clubes do campeonato, com especial destaque para o Belenenses. Braga e Boavista também são mencionados.

“Com um olhar superficial sobre uma informação contabilística divulgada na Internet, há coisas surpreendentes, no caso uma série de negócios com alguns clubes que carecem de explicação. Com o Belenenses, clube que no campo nunca consegue fazer oposição ao Benfica, tem negócios como este: em fevereiro de 2015, o Benfica fez um contrato em que se obrigou a pagar 300 mil euros por 50 por cento dos passes Dálcio, Ricardo Dias e Fábio Nunes, que nem eram utilizados com regularidade. De repente, o Benfica descobriu três pérolas e fez um contrato em que se obriga a pagar aquele valor e a comprar os restantes 50 por cento por 700 mil euros. Se algum desses jogadores não ficasse no plantel do Benfica seria emprestado ao Belenenses. É um negócio da China para o Belenenses. A opção devia ser exercida entre 7 e 15 julho de 2015, mas pagou em março. Qual a entidade que faz um contrato para pagar em julho e antecipa para março? Porque tem excesso de liquidez, presume-se. Mas tem o segundo maior passivo da Europa. É mentira que nade em dinheiro. Em julho, compraram mais 25 por cento do Dálcio. Sucessivamente injetou dinheiro no Belenenses. O pagamento de março aconteceu duas ou três semanas antes de visitar o Restelo para o campeonato. Estes comportamentos são estranhos. Recordo uma coisa, em outubro quando o Benfica foi alvo de buscas pela PJ, no lote havia especialistas na área contabilística/financeira. As próprias autoridades já detetaram coisas estranhas. Não estou a dizer que há crime algum, não tenho capacidade para isso, mas que é estranho…. Se calhar há uma qualquer explicação”, afirmou no programa Universo Porto da Bancada.

“Este modus operandi repete-se. Já antes tinha havido, no tempo da direção do V. Guimarães que se colocou ao lado do Benfica contra o FC Porto no caso da Liga dos Campeões, um contrato em que o Benfica ficou com o direito de opção de todo o plantel por 1,250 milhões de euros. Em poucos meses, transferiu 850 mil euros para o Belenenses. 650 mil por um jogador que nunca integrou o plantel e 200 por dois que nunca exerceu a opção de compra. Para compor o ramalhete, em 2013/14, dez dias antes do jogo entre as duas equipas, pagou 30 mil euros pelos bilhetes. No ano seguinte, com quase dois meses de antecedências, outros 27 mil euros. O padrão do Benfica a pagar bilhetes nos jogos fora de casa é com algumas semanas de atraso. Com o Belenenses houve antecipações. Isto é estranho. Era bom que o Benfica não andasse a iludir toda a gente. Não há nada desta informação que circula que seja falsa. Era bom que desse explicações, o futebol português precisa delas, e até os adeptos do Benfica”, continuou.

“Acontecia só com o Belenenses? A 18 de dezembro de 2103, transferiu 200 mil euros para o Boavista. Passado um mês mais 46 mil. Transferências relativas a quem? Não há noticias de qualquer contratação. Estamos na presença de um qualquer esquema de financiamento a troco de quê? Se for de uma transferência, amanhã que digam de quem foi. Que expliquem, e não deixem estas suspeitas sobre estes comportamentos. Em 2009, outro email, do Álvaro Braga Júnior que enviou para Paulo Gonçalves, através de uma funcionária com um plano para arranjar uma forma alternativa e irregular de transferir dinheiro para o Boavista através de um veículo. Isto é marosca”, insistiu, terminado com Djavan.

“Por fim, o lateral esquerdo Djavan, em 2013/14, estava emprestado à Académica pelo Santa Rita, do Brasil, e destacou-se ao ponto de causar interesse do Braga. Quando surgiram essas notícias, o Benfica pagou 750 mil euros por 60 por cento do passe, mais 150 mil à Académica por 20 por cento do passe e uma comissão de 250 mil ao empresário. Por pouco mais de um milhão de euros ficou com o jogador, um mês depois vendeu-o ao Braga por um milhão. Acontece que o Braga não pagou ao Benfica. Não há transferência nenhuma nos documentos. Recebeu o jogador, foi um financiamento em espécie. Deu-lhe um jogador que queria. É um excelente negócio para o Braga e não quero tirar mais nenhuma ilação/interpretação, mas podia fazer muitas. Vimos o jogo do FC Porto, meio, mas vimos o empenho do adversário, nada a dizer. Mas também vimos os últimos jogos do Benfica e não vale a pena fechar os olhos”, terminou.

Fonte: Ojogo