Galeno: “Sonho fazer história neste clube”

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Por Rui Cesário Sousa

Desde o dia em que saiu de casa, da Barra do Corda, lá no estado do Maranhão, no Brasil, até ao dia em que foi entrevistado pela “Dragões” decorreram pouco mais de quatro anos. Nesse período de tempo, Wenderson Galeno passou dos primeiros toques mais a sério na bola a uma época praticamente concluída no FC Porto B. Coragem, velocidade e técnica são os ingredientes que fazem do camisola 90 dos Dragões, de apenas 19 anos, um dos jogadores em destaque da Segunda Liga.

Tem como grande inspiração a família mas o conforto do lar dos que mais ama foi uma das primeiras coisas de que abdicou para seguir o sonho do futebol. Aos 14 anos viajou mais de 1500 quilómetros para tentar a sorte em Brasília, onde dois dos quatro irmãos moravam, mas a primeira experiência acabou por não correr bem. Não foi à primeira, foi à segunda. No Trindade, clube da cidade de Goiânia, fez a formação, tendo seguido com 18 anos daí para o Grémio Anápolis, clube pelo qual está cedido ao FC Porto. Em Portugal, Galeno encontrou a felicidade e é aqui que está apostado em ficar. Para já, pode-se dizer que não faltam motivos para acreditar no talento deste jovem brasileiro que indicou Brahimi, André Silva e Soares como exemplos a seguir.

Aos 19 anos as primeiras recordações do futebol não devem ter muito tempo. Quais as primeiras lembranças que tem de uma bola?
Em criança a bola era uma companhia permanente. Brincava com outras crianças, mas os meus irmãos estavam sempre atentos ao que eu fazia. Eles queriam que eu tentasse a minha sorte, mas a verdade é que ao inico eu nem estava muito interessado. Só queria brincar. Com o passar do tempo acabei por perceber que as coisas poderiam dar certo para o meu lado e que me deveria dedicar a esta vida.

E quem lhe descobriu o talento?
Na verdade, foram uns amigos do meu irmão que começaram a procurar as melhores oportunidades para mim. E com sucesso, felizmente, porque hoje estou aqui.

Depois do Trindade e do Grémio, chegou ao Porto com 19 anos. Como foi fazer essa mudança ainda tão jovem?
É tudo diferente. Foi uma mudança enorme e tenho que admitir que ao princípio foi muito difícil.

Pensou muito antes de aceitar a proposta de vir para o FC Porto?
Quando tive a confirmação de que vinha jogar para o FC Porto foi uma alegria imensa. Para mim e para a minha família. Lembro-me bem de lhes contar e de ver a felicidade deles. Continua a ser um grande objetivo dos jogadores brasileiros chegar ao futebol europeu, mas há sempre o outro lado. É triste ficar tanto tempo tão longe deles. Felizmente as coisas estão a correr bem e o meu primeiro objetivo é devolver-lhes todo o apoio que sempre me deram e continuam a dar.

Sabia alguma coisa sobre Portugal ou sobre o FC Porto?
Mais sobre o FC Porto do que sobre Portugal. Quem nunca ouviu falar do FC Porto? É um clube grande e quando cheguei já sabia muita coisa. É um clube muito falado por lá e pelas melhores razões.

Veio à procura de realizar um sonho?
Claro. Vim à procura de realizar um sonho e de fazer história neste clube.

Chegou para jogar no FC Porto B e na Segunda Liga. Como analisa o nível de competitividade deste campeonato?
Aqui a competição é mais dura do que aquela a que estava habituado. A exigência dos adeptos também é muito maior. Foi difícil adaptar-me, mas com o passar do tempo já me considero adaptado.

Recorda-se da sua estreia com a camisola do FC Porto?
Claro. Foi logo na primeira jornada, frente ao Desportivo das Aves. Nem sei explicar muito bem. Foi uma sensação de felicidade imensa. Estrear-me e logo a titular foi uma sensação incrível.

Esta sua primeira temporada em Portugal tem superado as suas expectativas?

Nunca tinha feito uma temporada como esta, tão competitiva e com tantos jogos. Nesse ponto, só tenho que agradecer aos diferentes treinadores que foram apostando em mim. Quanto a mim, é continuar a fazer o trabalho que tenho vindo a fazer, pois isso acaba por ser o mais importante.

Considera-se um jogador adaptado à realidade portuguesa?
Considero que sim. Penso que evoluí muito desde que cheguei, quer com os meus companheiros, quer com os meus treinadores. E esse é também um dos meus objetivos. Evoluir todos os dias e dar o máximo com esta camisola todos os dias.

É mais jogador hoje do que quando chegou?
Penso que sim. Face ao início da época, creio que melhorei bastante. Talvez as melhores pessoas para falarem disso sejam os meus companheiros de equipa, que acompanham a minha evolução.

Acabou por trabalhar com três treinadores, mas manteve sempre a confiança de todos. Foram todos importantes para essa evolução?
Começou com o Luís Castro. Tivemos alguns jogos com ele e aprendi muito. Depois passou o [José Ferreirinha] Tavares, mas não tivemos muito tempo para nos adaptarmos. Agora, com o Folha, penso que estou a mostrar o meu lado melhor. Sinceramente, só tenho a agradecer-lhe a confiança e as oportunidades que me dá.

Este texto é um excerto da rubrica “Lado B” da edição de maio de 2017 da “Dragões”, a revista oficial do FC Porto, a cuja versão digital pode aceder aqui.