Jackson indica caminho para o título

Colombiano recorda o contexto vivido em 2012/13 e a mensagem convicta que Vítor Pereira transmitiu e haveria de resultar

A um ponto do Benfica e com o clássico à vista, o exgoleador dos portistas lembra que a convicção ganhou mais força quando o Benfica tropeçou e os dragões ficaram a depender apenas de si próprios

Vítor Pereira teve Jackson Martínez em 2012/13 e, juntos, foram campeõesDe passagem pelo FC Porto, onde se encontra a recuperar de uma lesão, Jackson Martínez está mais do que identificado com o contexto vivido pelos azuis e brancos a poucos dias do clássico com o Sporting. Numa altura em que a distância para o líder ficou reduzida a um ponto, o colombiano sublinhou aquilo que é mais importante nesta altura, exemplificando com a experiência que viveu no Dragão em 2012/13, época do último título. “Lembro-me muito bem da convicção que tinha o Vítor Pereira, quando estávamos a cinco pontos do Benfica. Umas dez jornadas antes do final do campeonato, ele dizia em cada palestra que íamos ser campeões. Era uma certeza que conseguiu transmitir a cada um de nós. Foi impressionante. Mas ele mantinha a mesma convicção e cada treino era como se estivéssemos só a um ponto. O Benfica empatou com o Estoril e a partir dali ganhámos uma força muito grande”, lembrou o avançado, em entrevista ao Porto Canal.

O Sporting é, de resto, um adversário de boas memórias para o “Cha Cha Cha”, que destacou um golo contra os leões, num lance visto e revisto, em que Jackson recebe a bola de costas para a baliza, controla com a coxa direita e toca de calcanhar para o fundo das redes. “Foi, sem dúvida, o meu melhor golo”, recordou.

Entre as figuras do clube que mais o marcaram, o colombiano elegeu três: “Sentia-me confortável com jogadores como Otamendi e Lucho. O Lucho foi uma grande ajuda, assim como o Vítor Pereira, pela confiança que me transmitia e todo o apoio que me deu naquele ano maravilhoso.” Apesar do sucesso que viveu no Dragão, o cafetero não perdeu a humildade: “Ter sido o melhor marcador do FC Porto no Dragão é gratificante, mas é um feito que partilho com os outros jogadores, porque para o conseguir precisas de um bom grupo.”

Falcao nunca foi um fantasma

Quando Jackson chegou ao FC Porto, já os adeptos tinham aplaudido muitos golos de Falcao. As comparações eram inevitáveis, mas Jackson dividiu as águas: “Não cheguei com a ambição de superar o que Falcao tinha conseguido, porque ele tinha feito a sua etapa e eu vinha fazer a minha história. As minhas referências não eram aquilo que ele ou outro tivesse feito antes.”

Sabor amargo por deixar o Atlético

Jackson sentiu no seu amor-próprio a forma injusta como foi catalogada a sua saída do Atlético Madrid para a China. “Quando me lesionei, no Atlético, estava a começar a adaptar-me. Antes não me havia adaptado àquele estilo de jogo”, reconheceu. “Foi triste ouvir de colegas que eu não estava comprometido com a equipa, quando saí para a China depois. Foi esquisito ler e ouvir isso, porque se há uma coisa que sempre me preocupou foi ser profissional ao máximo. Não me sinto orgulhoso, nem satisfeito por aquilo que aconteceu, mas satisfeito por ter feito o meu trabalho, apesar de as coisas não me terem corrido como desejava”, acrescentou.

Mas não foi só no Atlético que ouviu comentários a denegri-lo: “Foram os três dias mais difíceis da minha carreira. Quando dizem que preferi o dinheiro à glória, eu respondo que nem procuro a glória, nem a minha vida é guiada pelo dinheiro.”

Esta cara triste de Jackson deu muito que falar

Fonte: Ojogo