Martínez está na agenda do FC Porto

O antigo portista enche-lhe as medidas e é com os movimentos de El Tigre que tenta aprender. Esteve para ir para o campeão espanhol há um ano, mas entendeu que era cedo demais.

Lautaro Martínez já está na Colômbia depois da eliminação da Argentina do Mundial de sub-20. Um dos sonhos do avançado pretendido pelo FC Porto, como O JOGO deu conta na edição de quarta-feira, era levantar o troféu dessa competição como capitão, mas não foi possível e o Racing chamou-o de imediato para jogar a Taça Sul-americana. Quis o destino que fosse na terra do seu maior ídolo: Falcao. “Vejo muito o que ele faz para aprender com os seus movimentos. Também observo Luis Suárez. São os dois melhores”, revelou Lautaro numa entrevista que deu há um ano, quando recusou o Real Madrid.

Martínez tinha apenas quatro jogos na primeira equipa do Racing quando o Real o quisera contratar. Os 53 golos em 64 jogos nos escalões de formação deram-lhe fama, mas preferiu ficar na Argentina. “Foi uma decisão difícil, mas tomei-a com tranquilidade. Muitos ficaram surpreendidos por recusar o Real, mas primeiro quero afirmar-me e vencer no meu clube”, justificou.

Lautaro nasceu em Bahía Blanca, a 650 quilómetros de Buenos Aires, onde quase só se respira basquetebol. Foi nessa modalidade que se estreou na I Divisão, aos 15 anos, embora já acumulasse as duas. A escolha foi difícil, mas, aparentemente, acertada. De golo em golo, chegou à Seleção da cidade e foi aí que Fabio Radaelli, treinador e antigo coordenador do futebol juvenil do Racing, o descobriu.

O começo, em 2014, não foi fácil. Não se adaptou, sentiu-se sozinho e precisou de apoio psicológico. Foi Brian Mansilla, rival pelo lugar, e agora colega no clube e na seleção, que o convenceu a ficar. Tornaram-se de imediato grandes amigos. Toro, como também é reconhecido, morava numa pensão com outros jogadores e impressionou também em testes de concentração: tirou 97 por cento, contra uma média de 60 dos restantes jogadores. “Tem um perfil recatado, é muito bem-comportado”, contou Cecilia Contarino, que fazia a gestão desse espaço.

No primeiro ano, numa equipa do Racing que competia no sexto escalão, fez 26 golos em 31 jogos. Subiu aos reservas e depois à equipa principal. Pouco mais de um ano depois de chegar a Avellaneda, o treinador Diego Cocca lançou-o. Foi a 31 de outubro de 2015 e substituiu, ao minuto 80, Diego Milito, um dos principais conselheiros que teve. “É um orgulho treinar e ser aconselhado por estes jogadores”, chegou a comentar. A lesão de Lisandro lançou-o como titular nesta época e o resto da história já é mais ou menos conhecida. O avançado admitiu que tem de melhorar com o pé esquerdo e explicou porque é tão bom de cabeça, mesmo com apenas 1,74 metros: “Culpa do basquetebol…”, admitiu.

Fonte: Ojogo