Maxi Pereira: “Primeiro estágio com Casillas foi sensação rara”

O uruguaio dividiu o quarto com Sérgio Oliveira, com quem tinha tido uma picardia num Paços de Ferreira-Benfica

Mudança para o FC Porto: As pessoas diziam que era pelo dinheiro e unicamente pelo contrato, mas é mentir. Tinha ofertas superiores de outros clubes noutros países, mas teria de mudar de vida, para um país com vida diferente. Vir para Porto foi desejo meu, da minha família. Eles também insistiram. E os companheiros que jogaram cá já me tinham dito o que era o clube, como eram as pessoas. Era uma oportunidade e desde que me falaram que foi sempre a minha prioridade. Queria sair campeão, quero ser campeão. Não quero sair sem ser campeão nem ganhar nada. Cristian ficou surpreendido. Diz que já não esperava. Mas depois disse que me iria sentir bem. E tinha razão. Não estava errado. Estou muito contente. Falta-me só o extra de ganhar o título.

Chegada a estágio um dia depois de Casillas: Sensações raras. Imaginamos, mas até chegar não se sabe o que se sente. Alegria, nervosismo. Parecia que estava a entrar num jogo com 50 mil pessoas. Mas receberam-me muito bem. Lopetegui foi à porta e senti logo no primeiro dia que tinham grande confiança em mim. Presidente disse-me que era jogador “à porto” e tinham total confiança em mim. Para mim foi muito importante. Agradecer a essas pessoas que acreditaram e tentar agora agradecer com títulos.

Relação com Sérgio Oliveira, depois de uma picardia num Paços de Ferreira-Benfica: Quando cheguei ao estágio na Alemanha puseram-me no mesmo quarto dele e claro, já tinha essa história um pouco antiga com o Sérgio, em que ele marca um golo de penálti e bem, picámo-nos um pouco, e as coisas até poderiam ter terminado mal. Era um pouco estranho, mas ele ajudou-me muito, falou-me do clube como um adepto, é muito portista… Então ouvi-o e aprendi com ele um pouco os hábitos. Ele ajudou-me muito a entrar no grupo.

Um dentro de campo e do jogo, outro de fora: Sim, encaro os jogos como finais. Para mim entrar em campo é defender os meus companheiros, o trabalho dos funcionários e toda a gente. Esse tem de ser um pouco o compromisso do jogador de futebol… Dizer “não tenho amigos em campo”, mesmo que do outro lado esteja o teu melhor amigo. Um defende umas cores e outro defende outras. Sempre o encarei assim, ser o mais sério possível e essa é a única maneira de estar completamente focado. Depois de terminar, se for preciso falar ou aclarar alguma situação faz-se, mas o resto é dentro de campo. O futebol mudou um pouco com a internet e as redes sociais, parece-me que se perdeu um pouco esse código do futebol, do que se passa em campo ou o que vêem as câmeras… Parece-me que se perdeu um pouco esse código.

Fonte: FC Porto