Mikel Agu renovou e com cláusula de rescisão subir de 20 para 30 milhões de euros.

“É SENSACIONAL VOLTAR”

O médio-defensivo renovou até 2021, já sabe que será “reforço” e partilhou com O JOGO a ambição de conquistar títulos

Aposta para o futuro, teve de esperar quase três anos para cumprir o desígnio que o FC Porto lhe projetou em 2014. Sem lesões, o nigeriano está a brilhar em Setúbal Mikel Agu renovou por quatro anos com o FC Porto e volta em julho para integrar o plantel da próxima época. “Nada no futebol é garantido, até porque depois de algum tempo o treinador

“Fiquei muito feliz por renovar. O FC Porto é um grande clube e a minha ambição é ajudar a conquistar títulos” “Danilo é bom fisicamente, líder, rápido e muito trabalhador. Tento aprender com ele” Mikel Jogador do FC Porto

pode ter outras opções. Sabemos que volta e temos a indicação de que é para ficar e não apenas na pré-época”, confirma Graham Hayden, empresário do jogador. O JOGO sabe que o plano do FC Porto é mesmo dar ao nigeriano, em definitivo, a oportunidade deste se fixar no plantel, depois do azar sofrido no verão de 2014 quando, promovido por Julen Lopetegui, fraturou a tíbia logo no primeiro treino da época. Daí o novo contrato, de longa duração, já assinado entre os dragões e o médio-defensivo, atualmente cedido por empréstimo ao V. Setúbal. Mikel fica agora ligado aos dragões até 2021 e vê a cláusula de rescisão subir de 20 para 30 milhões de euros.

Danilo e Fernando: as referências

Mikel olha para Danilo, com quem terá de disputar o lugar ou a quem poderá vir a substituir, como referência, como era Fernando há uns anos. “Desde que me liguei ao FC Porto que procurei olhar para quem joga na minha posição. E o Danilo é um grande jogador. É bom fisicamente, é rápido, é um líder e um grande trabalhador, porque procura empurrar sempre a equipa para a frente. Gosto e procuro aprender com o estilo de jogo dele”, assume. “Quando estava nos juniores e na equipa B, também olhava muito para o Fernando, porque sabia que ia aprender muita coisa”, continua. No fundo, o jogador acreditava que, se queria vingar no FC Porto, tinha de aprender com quem estava a jogar, pois seria esse o perfil pretendido. “Mas, claro, o treinador será sempre o mais importante, porque será ele que transmitirá as informações do que pretende”, concluiu.

Renascido após espiral de azares

Primeiro dia da época de 2014/15 marcou o início de um período negro do qual o nigeriano só se libertou em 2016/17

Uma fratura da tíbia adioulhe o sonho de se afirmar nos dragões e outra no pé esquerdo prejudicou-lhe a aventura na Bélgica. O V. Setúbal abriu-lhe a porta e o nigeriano está a aproveitar ao máximo

Mikel na estreia a titular na I Liga: André Gomes era um adversário

Médio foi internacional sub-17, esteve no estágio da seleção olímpica e agora sonha com a principal da Nigéria
2014

Se a carreira de Mikel desse um filme, o argumento seria seguramenteodeumahistória de superação, tantos foram os azares que teve de ultrapassar em apenas cinco épocas como profissional. O nigeriano saiu da Megap Soccer Academy (agora B-J Foundation), em Benin City, com o sonho de construir um percurso de sucesso no FC Porto e a verdade é que os primeiros tempos só serviram para o alimentar. Convenceu os dragões no período de testes que cumpriu no Olival em 2009, ainda com 16 anos, mas esteve sem jogar até atingir a maioridade. Por isso, ficou de fora da conquista do título de juniores em 2010/11 e só fez dois jogos nesse escalão na época seguinte, curiosamente, ambos contra o Benfica. O certo é que Rui Gomes, o treinador de então, deixou-se levar pelos encantos do médio e, na temporada que se seguiu, deu-lhe a titularidade na equipa B, na qual se manteve também em 2013/14, já com Luís Castro, contribuindo para o segundo lugar na II Liga conquistado na altura.

Tudo parecia correr bem a Mikel, que pelo meio se havia estreado pela equipa principal, com Paulo Fonseca, e havia convencido Julen Lopetegui a dar-lhe um lugar na préépoca de 2014/15 com uma exibição segura a fechar o campeonato, frente ao Benfica. Foi nesse verão, contudo, que começou a espiral de azares. Fraturou a tíbia logo no primeiro treino e esteve parado durante dez meses. Na temporada seguinte aventurou-se no Brugge, mas uma lesão no pé esquerdo estragoulhe o arranque no clube belga e questões internas impediram-no de jogar com regularidade. Esse desejo só se concretizou esta temporada, no V. Setúbal, no qual fez 32 jogos – 29 como titular – e uma série de exibições que o colocaram no radar da seleção nigeriana, que representou somente como sub-17, apesar de ter participado no estágio realizado pela equipa olímpica no verão. Segue-se o regresso ao Dragão para concretizar um sonho adiado.

2009

Descoberto numa academia nigeriana

Uma série de observações no continente africano levaram o FC Porto até Mikel, que alinhava na Megap Soccer Academy (agora B-J Foundation), em Benin City. Depois de um período de testes no Olival ficou no clube.

2012

Estreia ainda pela equipa de juniores

Impedido de jogar por ser menor e não ter nenhum familiar em Portugal, fez os primeiros jogos pelos dragões em 2011/12, contra o Benfica, ainda nos juniores. Uma época antes viu de fora a conquista do título do escalão.

2014

Lançado em Barcelos por Paulo Fonseca

A estreia pela equipa principal, depois de duas épocas nos bês, surgiu pela mão de Paulo Fonseca. Foi a 16 de fevereiro, em Barcelos. No final desta temporada ainda jogaria com o Benfica, com Luís Castro, e convenceu Lopetegui a chamá-lo para a pré-época.

2015

Lesão no pé esquerdo e aventura irrepetível

Depois de uma pré-época prometedora na equipa B, sofreu uma lesão no pé esquerdo antes de rumar ao Brugge. Recuperou, fez dois jogos, mas caiu das opções do treinador.

2016

Reergue-se nas margens do Sado

Cedido ao V. Setúbal, leva 32 jogos em 2016/17 e recupera a confiança. Só lhe falta fazer um golo esta temporada…

Fonte: Ojogo