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“Não quero que o meu filho seja ciclista”

Podia ser um pontapé de bicicleta, mas não alterámos o nome da rubrica: Rui Vinhas à Dragões, no “Passe de Letra”

 

Por João Queiroz

É de letra, mas não é um passe. É num sprint que damos uma volta pela vida de Rui Vinhas, desde que em criança seguiu as pisadas do tio, António Carvalho, que correu com a camisola do FC Porto nos anos 60 do século XX, até ao “melhor ano” da sua vida, o ano em que foi rei na Volta a Portugal e em que foi pai de um príncipe. Em duas ou três pedaladas, o ciclista do W52-FC Porto-Porto Canal conta-nos histórias, fala-nos de sonhos e desvenda-nos segredos.

“Desde miúdo que quis ser ciclista, até porque nasci no meio das bicicletas. Tenho familiares que foram ciclistas: um tio meu, António Carvalho, que correu no FC Porto, e um primo que também foi profissional. Todos eles me transmitiram esse gosto pela bicicleta.”

“Como todas as crianças, um dos presentes que recebi primeiro foi uma bola e até gostava de jogar, mas apaixonei-me pelo ciclismo quando tinha oito ou nove anos e me sentei pela primeira vez numa bicicleta.”

“A primeira bicicleta que tive foi uma Cosmos: o quadro [o principal elemento de uma bicicleta, no qual se montam as rodas e as demais componentes] foi-me oferecido pelo Nuno Ribeiro [hoje diretor desportivo da W52-FC Porto-Porto Canal]; o resto foi o meu pai que me deu. Comecei a competir federado quando tinha 10 ou 11 anos.”

“Senti que iria vencer a Volta a Portugal quando faltavam cerca de 10 ou 15 quilómetros para o fim da última etapa, mais ou menos a partir de metade do contrarrelógio. Aí recebi a indicação de que só não ganharia se acontecesse algum azar, uma vez que só tinha perdido cinco segundos da vantagem. Mesmo assim só acreditei quando passei a linha de meta e me confirmaram que, de facto, era o vencedor.”

“O meu grande sonho era ganhar a Volta. No futuro, embora saiba que não é fácil, gostava de um dia participar no Giro de Itália ou no Tour de França. Gosto mais das grandes voltas, embora haja uma clássica ou outra que também goste de correr. Na próxima época gostava de correr as corridas mais curtas, o Grande Prémio Jornal de Notícias e voltas importantes como a de Castela e Leão ou a das Astúrias, que são corridas boas para as minhas características”.

“O meu ciclista de eleição? Joaquim Rodríguez, ciclista espanhol que corre na equipa da Katusha e com quem competi, aliás, na última Volta ao Algarve. Identifico-me muito com a forma como ele corre, com a garra que ele revela e com a postura humilde que ele tem no ciclismo.”

“Ouço todo o tipo de música. Gosto muito dos Coldplay, por exemplo. Na Volta a Portugal, quando íamos no carro, antes da partida, ouvíamos sempre música. O Gustavo Veloso punha-nos a ouvir a “La Bicicleta”, da Shakira, a “Duele el Corazón”, do Enrique Iglésias, e ainda a do Europeu 2016, “This One’s For You”, do David Guetta, que tocava todos os dias no pódio. Sempre que ouço essa música vem-me sempre à memória a vitória na Volta.”

“Gostava muito de conhecer o Sudeste Asiático, de ir à Indonésia, que é um país que me fascina, e à Malásia. Gostava também de conhecer o Nepal.”

“Não sou capaz de resistir a um bom cabrito assado. É um prato muito bem preparado na região norte de Portugal, mas o que a minha avó cozinha é delicioso.”

“Quando soube que tinha ficado em primeiro, pensei logo no meu filho Pedro, que viria a nascer no dia 15 de setembro, e no orgulho que ele um dia irá ter do pai. Foi sempre nele, aliás, em quem pensei durante a prova. Este foi, sem dúvida, o melhor ano da minha vida, melhor do que este será muito difícil alcançar. Nessas alturas em que cortamos a meta também pensamos em todo o sofrimento e desgaste passado na preparação da Volta.”

“Confesso que não quero muito que o meu filho também seja ciclista, mas hei-de sempre respeitar a vontade dele e vou ajudá-lo no que puder. Se ele me perguntar a opinião, vou aconselhá-lo a seguir outro caminho, porque sofre-se muito no ciclismo, é uma profissão muito desgastante, que nos sujeita a muitos sacrifícios.”

“Quando estamos sentados em cima da bicicleta, a competir, pensamos muito na estratégia, nas indicações que nos dão. Se estamos numa fase decisiva da prova, vamos tão concentrados que nem há muito tempo para pensar noutras coisas. Quando são momentos de montanha, pensamos nas coisas boas da vida, conversamos com colegas e adversários. São conversas normais sobre a família, os treinos, mas também brincamos muito.”

FONTE/ FC PORTO
“Passe de Letra” da edição de outubro da Dragões, a revista oficial do FC Porto

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