O MIÚDO PEDIU MAIS OPORTUNIDADES

O lateral não tremeu na estreia e até podia ter marcado um golo. Estatística deste jogo coloca-o num patamar idêntico aos mais experientes Maxi e Layún

Herrera e Felipe procuraram retirar-lhe a pressão durante o jogo e o internacional olímpico português foi melhorando com os minutos. No final recebeu os parabéns de todos

O nome na camisola com que se estreou pela equipa principal até poderia ter uma gralha, mas Fernando Fonseca provou que não é um erro de casting e que a aposta arriscada do treinador fazia sentido. Aos 20 anos, o lateral-direito não tremeu das pernas, nem vacilou em campo. Ao fim de 85 minutos recebeu os parabéns de toda a estrutura, depois de uma exibição com números que o colocam num patamar idêntico aos mais experientes Maxi Pereira e Layún.

Apesar de Daniel Ramos (treinador do Marítimo) ter tentado aproveitar a inexperiência do estreante e privilegiado os ataques por aquele lado, Fernando Fonseca não acusou a pressão e esteve quase sempre seguro. Terminou com uma interceção, ao nível da média por jogo de Layún (1,1) e um pouco abaixo da do indiscutível Maxi (1,6). Aliás, depois de intervenções defensivas bem-sucedidas, ganhou confiança e começou a aparecer mais no jogo, subindo no terreno para dar apoio a Otávio. Terminou com 34 passes efetuados – média inferior à de Maxi mas superior à de Layún – e um deles foi uma assistência para o coração da área, onde André André atirou de primeira por cima. A ação, de resto, foi apoiada por Herrera, que puxou dos galões de capitão de equipa para lhe transmitir confiança, embora não tivesse sido o único, pelo contrário; Felipe também foi uma importante muleta para o miúdo, aplaudindo-lhe e dirigindo-lhe palavras positivas depois de um roubo de bola a Coronas quando este tentava escapar na área.

Empolgado e com os níveis de confiança em ascensão, Fernando Fonseca foi crescendo com o passar do tempo e aos 42’ quase colocou a cereja no topo do bolo: isolado na cara de Charles, não marcou por muito pouco. E a ação (aparecimento na área a rematar) parecia copiada dos habituaisdonosdolugar,uma vez que Maxi e Layún também a fazem com frequência (o mexicano mais). Na segunda parte, porém, foi menos incisivo no ataque, mas manteve a solidez defensiva. A exibição estava a ser de tal forma positiva que Nuno Espírito Santo só o tirou a seis minutos do fim, trocando-o por Rui Pedro para o tudo por tudo dos dragões (que não teve efeitos práticos). Da bancada, Fernando Fonseca recebeu aplausos e logo foi cumprimentado por Nuno. Todos os restantes elementos que estavam no banco lhe dirigiram palavras de aprovação pelo desempenho.

Pode não ter sido a estreia que o internacional olímpico desejaria, por causa do resultado que deixou o FC Porto mais longe do título, mas a nível pessoal dificilmente poderia pedir mais. O regresso de Maxi, que apanhou apenas um jogo de castigo, com o Paços de Ferreira deve devolver Fonseca à equipa B, mas já ninguém lhe tira esta história, que escreveu com apenas 20 anos, do dia em que rendeu Maxi Pereira no FC Porto e fez com que Layún nem sequer tenha sido convocado… O primeiro passo para cumprir com o sonho anunciado em dezembro de 2016 está dado. “Quero ser o próximo lateraldireito do FC Porto”, disse na altura ao “MaisFutebol”. O mais difícil, porém, ainda está para chegar, mas já fez por merecer mais oportunidades.

LATERAIS-DIREITOS AO RAIO X

Fonte: Ojogo