“O passado só interessa se servir como motivação para o futuro”

Jorge Nuno Pinto da Costa discursou no jantar que assinalou o aniversário dos 30 anos da conquista de Viena

 

Este sábado, 27 de maio de 2017, foi dia de recordar o golo de calcanhar de Madjer, de voltar a ver Juary ajoelhado junto à linha lateral, com Futre “ao pescoço” a festejarem o segundo golo ou João Pinto dar a volta de honra ao Estádio do Prater agarrado à taça que não mais largou. O 30.º aniversário da conquista da Taça dos Clubes Campeões Europeus começou por ser assinalado, na parte da tarde, com a inauguração da exposição V – 30 anos de Viena no Museu​. E terminou à mesa de um jantar no Centro Social Luso Venezolano, em Nogueira da Regedoura, Santa Maria da Feira, com mais de 600 pessoas, entre as quais Jorge Nuno Pinto da Costa, e muitos dos jogadores que integravam o plantel naquela época gloriosa de 1986/87.

O Presidente do FC Porto encerrou o evento com um discurso em que começou por recordar aquela “noite excecional, memorável” em Viena de Áustria e por agradecer a todos aqueles – dirigentes, equipa técnica e jogadores – que “escreveram a letras de ouro a mais brilhante página da historia internacional de todos os clubes portugueses”. Começou por falar daqueles que já falecidos, como Luís Teles Roxo, na altura diretor para o futebol, e de Zé Beto, um dos guarda-redes do plantel. Nomeou os presentes – Jorge Amaral, João Pinto, Eduardo Luís, Lima Pereira, Frasco, André, o Jaime Magalhães, Gomes, Futre, Laureta, E deixou ainda uma palavra de agradecimento aos ausentes: Inácio, Celso, Madjer e Juary e ainda Artur Jorge, o treinador, que não pode marcar presença por motivos de saúde, mas que lhe enviou uma “encantadora mensagem”.

“É bom recordar esses tempos, viver a memória do passado, mas ela só interessa se nos servir como motivação para o futuro. Se ela fizer com que todo este espírito de união esteja presente no dia adia, o vosso exemplos há-de permitir que outros fiquem também, porque o FC Porto irá ser digno daquilo que foram e representaram para o FC Porto”, observou Pinto da Costa, considerando “excecional que ao fim de 30 anos, mesmo num momento menos vitorioso, se possa sentir, o fervor clubista, o amor ao FC Porto, a paixão que esses atletas tinham pelo FC Porto e que os faz estar hoje aqui presentes”.

Agora os tempos são outros, disse ainda, “são cada vez mais difíceis, com a proliferação de canais televisão​ e de programas pseudo-desportivos, que procuram denegrir o FC Porto e aquele quem o representa”. Por isso, “temos que estar atentos”, alertou dando alguns exemplos recentes. “Fizeram notícia de abertura dos telejornais de que a minha casa tinha sido vandalizada. Não foi nem nunca lá entrou nenhum vândalo porque la ninguém me foi entrevistar”, afirmou.

Pinto da Costa aproveitou ainda para desmentir “um sujeito obeso” que afirmou que o líder máximo dos azuis e brancos tinha saído 15 minutos antes do Moreirense-FC Porto: “É totalmente falso, estive depois do jogo no meu lugar, ao lado do presidente do Moreirense, até que o último elemento saísse do campo. Isto revela a preocupação. Eles não estão lá de graça, são pagos para ler as cartilhas e para vomitar o odio”.

O Presidente portista não perdeu mais tempo com os “inimigos que continuam a inventar e a difamar”. Preferiu falar dos muitos amigos que ali estavam, especialmente daqueles que há 30 anos conduziram à conquista do primeiro de sete títulos internacionais que o FC Porto ostenta no palmarés, no espírito de união daquela equipa, da paixão do Luís César [secretário-técnico do plantel principal] e da competência de todos os que acompanhavam.

“O passado é glorioso, o presente é de esperança mas o futuro tem que ser de orgulho daqueles que no passado escreveram a história do FC Porto”, defendeu Pinto da Costa, que saiu dali “reforçado”, com todas as palavras que ouviu e com todo o apoio que recebeu naquela noite especial organizada pela Casa do FC Porto de Caracas, Venezuela, que contou com a presença de representantes de várias Casas e Delegações e em que foi lançado o livro “Santa Maria da Feira, Terra de Dragões”, da autoria do historiador portista Roberto Carlos Reis.