O plano secreto para polir o diamante

RUI PEDRO TEM PLANO CAUTELOSO

EVOLUÇÃO Chidozie, outrora titular e agora quinto central, é um exemplo que a SAD não quer ver repetido

O ponta de lança será devolvido paulatinamente à equipa B, provavelmente até ao final de janeiro. O potencial que exibe merece 90 minutos todas as semanas e dispensa um crescimento à pressa

A estreia precoce de Rui Pedro – para encontrar um ponta de lança da formação mais jovem na equipa principal é preciso recuar até Fernando Gomes – lançou o miúdo para a ribalta mas não anulou o plano que o FC Porto tem para ele. Há mais de dois meses que o original foi alterado, por mérito do avançado, que queimou uma etapa e deu um pulo qualitativo capaz de justificar a integração em pleno naequipa B. Nestafase, entendem os dragões, não faz sentido fazê-lo subir mais um patamar, sob pena de o tombo poder vir a ser maior. Rui Pedro é para continuar a trabalhar com calma e a equipa B como pano de fundo para a sua evolução. Chi dozieéo exemplo a não repetir. Eéporis soque Nuno, na penúltima conferência de Imprensa, fez questão de reforçar que o golo salvador ao Braga não muda a direção a seguir. Rui Pedro mantém-se entre os grandes, para já, mas o mais provável é que, até ao final de janeiro, volte à convivência diária da equipa B. Anão ser que algo de muito importante mude e o retenha na formação principal, seja a necessidade do FC Porto, seja o mérito do ponta de lança.

Chi dozieéo exemplo que o FC Porto não quer repetir. O nigeriano foi promovi dona época passada, mais ou menos pela altura em que Rui Pedro subiu agora de escalão. As boas respostas iniciais mantiveram o central no plantel. O pior foi depois: a equipa caiu, o treinador não deixou de o utilizar e o nigeriano ficou irremediavelmente associado a uma catadupa de erros e golos sofridos que prejudicaram o clube e a si próprio. Nesta altura já deixou de treinar com a equipa principal e foi ultrapassado por Palmer Brown, precisamente por ter perdido moral e confiança.

A ideia é que Rui Pedro vá jogando de quando em quando, com especial incidência na Taça da Liga, prova que já tinha previsto o lançamento de um jovem ponta de lança, como no passado acontecido com Gonçalo Paciência ou André Silva. Nuno quer lançá-lo com responsabilidade positiva e não negativa. Ou seja: fazê-lo jogar quando a equipa já está confortável (aconteceu na Champions, a vencer por 5-0 o Leicester) ou em situações de aperto que nunca seja forçado a resolver. Isso sucedeu com o Braga e o jovem virou herói, mas ninguém lhe apontaria nada se o resultado tivesse terminado 0-0. Apontariam à equipa, mas nunca ao miúdo.

O regresso à equipa B é inevitável. Isto porque a estrutura portista também tem consciência de que o avançado tem ainda muito para melhorar e precisa do trabalho que se faz em 90 minutos de jogo, que dificilmente terá nos A. Além disso, é importante, consideram, devolvê-lo à terra e evitar que a fama prejudique a evolução. Na próxima préépoca voltará com possibilidade de trabalhar de início e em igualdade com os outros pontas de lança. Essa é uma decisão que ainda não está tomada, mas que ninguém na estrutura portista duvida que vá acontecer.

Devia estar a jogar nos… juniores

O plano inicial para Rui Pedro era estar a treinar, por esta altura, com a equipa Be a jogar nos juniores 90 sobre 90 minutos. O objetivo era dar-lhe já formação de nível profissional e minutos regulares nos B (já se estreou nesta equipa ainda era juvenil), como alternativa a Tony Djim ou Areias. Rui Pedro subiu por mérito e Luís Castro fez dele primeira aposta. Os golos e o talento fizeram o resto e depois foi só Nuno reparar e puxá-lo para cima. O avançado está, como escrevemos, numa etapa mais adiantada do que a previamente estabelecida.

Perfil de avançado encontrado nos “10”

SCOUTING André Silva e Rui Pedro foram escolhidos dentro dos mesmos parâmetros. Jogarem às vezes como médios-ofensivos ajudou

Formação dos dragões não contrata ao acaso e nos últimos anos entendeu que os pontas de lança a recrutar têm de saber jogar também fora da área, de costas para a baliza, em apoios e com amplitude

André Silva e Rui Pedro têm um perfil idêntico

Se encontrou semelhanças entre André Silva e Rui Pedro, provavelmente acertou. O FC Porto, pelo menos, procurou jogadores idênticos para ponta de lança quando, na formação, detetou a necessidade de reforçar a posição. No que respeita ao lugar “9”, a preferência traçada pelo departamento técnico e de scouting foi para jogadores capazes de jogar de costas, como pivôs ofensivos e de mobilidade e capacidade de envolvimento com os alas e restante mecânica coletiva. Porque nem sempre é isso que se pede a um ponta de lança noutro tipo de equipas, os dragões foram optando, ao longo dos anos, por observar também médios-ofensivos ou segundos avançados, cujo talento e características pedidas pudessem permitir a evolução para uma posição mais adiantada. Foi assim que André Silva e Rui Pedro foram descobertos e validados, após umas quantas departamento de scout azul e branco.

André Silva, já se sabe, chegou a ser o 10 do Salgueiros, entre outras posições que experimentou. Quanto a Rui Pedro, nos últimos jogos em que o FC Porto observou, estava ele em representação da Seleção da AF Aveiro, num torneio interassociações promovido pela FPF, foi “10” no primeiro jogo e “9” no segundo.

DADOS

MINUTOS

56

Rui Pedro soma três jogos na equipa principal: 29 minutos na Taça da Liga, 15 na I Liga e 12 na Champions. No total são 56’ para marcar um golo, decisivo, por sinal

GOLOS

11

Entre juniores, equipa B e equipa A, Rui Pedro tem 11 golos marcados em 17 jogos na presente época. Em média precisa de 101 minutos para fazer um golo

SELEÇÕES

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Fonte: Ojogo

Imagem: Alberto Fernandes