O poder das transições na vitória portista

Após a recuperação da bola, o objetivo fundamental é perceber se existe desequilíbrio na organização defensiva do adversário e aproveitá-lo de forma eficaz. Desde início, quando Casillas recuperava a posse de bola, existiu a necessidade de procurar os espaços laterais através de uma reposição rápida de bola. Nos dois golos do FC Porto, existiram falhas nas vigilâncias defensivas dos jogadores do Sporting e consequentemente espaços que foram bem aproveitados pelo FC Porto. Cada vez mais, o guarda-redes tem um papel preponderante na equipa não só “entre os postes” como também nos processos ofensivos. Está sempre “de frente” para o jogo, sabe se os colegas estão ou não a ser pressionados e, acima de tudo, se têm possibilidade de dar continuidade à construção de jogo. O que determina sempre a qualidade do processo ofensivo é a forma como os jogadores se relacionam entre si.

Organização ofensiva

FC Porto

O Sporting conseguiu organizar-se defensivamente de forma a que o FC Porto não tivesse muito espaço nem tempo para ter a posse de bola. Neste exemplo é possível perceber que, apesar de um mau posicionamento corporal de Felipe, as opções de ligar o jogo eram reduzidas. O pouco espaço entre linhas para poder jogar levou a que o FC Porto procurasse muitas vezes fazê-lo mais nos espaços em profundidade do que de forma apoiada. A organização ofensiva de qualquer equipa irá depender da qualidade técnica dos seus jogadores (para permitir continuidade do processo) e do nível de interpretação das várias possibilidades (inteligência em perceber o jogo como interação). Acima de tudo, ordenar a equipa em diferentes linhas (verticais e horizontais) para desordenar o adversário e conseguir chegar à sua baliza num contexto favorável.

Transição defensiva

FC Porto

Um aspecto tático que sobressaiu no clássico foi a forma como Nuno Espírito Santo trabalha este FC Porto quando perde a bola. Rapidamente, os jogadores encurtam o espaço entre linhas, baixando o seu bloco de forma a evitar penetrações em espaços interiores. Os jogadores tiveram a preocupação de privilegiar a ocupação do corredor central, tendo em conta as movimentações de Adrien em progressão. Acima de tudo, o foco dos jogadores do FC Porto estava sempre nos estímulos que o jogo ia dando, entendendo o momento da perda e ao mesmo tempo compreendendo-se a si próprios dentro desses momentos. As substituições que Nuno fez foram importantes para o FC Porto impedir a mobilidade, em zonas interiores, que o Sporting apresentou na segunda parte. Desenvolver e adaptar os processos tendo em conta o contexto e o momento do jogo teve uma influência crucial no decorrer do mesmo.

 

Fonte: Ojogo