O vergonhoso caso de Keaton Parks

Começa a ficar complicado acompanhar tanta vergonha no futebol português. Hoje trago o caso absolutamente vergonhoso de Keaton Parks. Em Janeiro deste ano o nome de Keaton Parks foi apontado ao Benfica pelo jornal Ojogo que como sabemos tem excelentes contactos com os clubes do norte.

 

Jornal Ojogo 4/01/2017

Keaton Parks rescinde e o Varzim recorre ao TAD

 

Curiosamente, após o interesse do Benfica…
No dia 21 de Fevereiro de 2017, Keaton Parks enviou uma comunicação a rescindir o contrato de trabalho desportivo com o Varzim. O Varzim  respondeu no dia 28 de Fevereiro com uma acção de oposição de reconhecimento da justa causa alegada pelo jogador  no tribunal arbitral do desporto (TAD). Importa referir que de acordo com os regulamentos, um jogador só pode inscrever-se por outro clube caso se encontre validamente desvinculado, o que no caso de rescisão contratual, equivale a dizer, se lhe for reconhecida justa causa na rescisão contratual. Importa referir que ficou desde logo marcada uma diligência processual no TAD para o dia 6 de Junho.

Atalhos à Benfica

Link da notícia (aqui)
No dia 30 de Maio, o jornal Record anunciou que Keaton Parks estava a caminho do Benfica. Curiosamente, uma notícia que surge poucos dias depois da Comissão Arbitral Paritária ter dado razão ao atleta. Só que estamos a falar de uma comissão completamente incompetente para julgar este assunto e que NUNCA notificou o Varzim para se pronunciar sobre o assunto. Passo a explicar:
Nos termos da Lei n.º 74/2013 de 06 de Setembro, que criou o TAD, posteriormente alterada pela Lei n.º 33/2014, de 16 de Junho, foi atribuído ao TAD a competência arbitral anteriormente atribuída à Comissão Arbitral Paritária formada entre a LPFP e o SJPF, que se manteve em vigor apenas até 31 de Julho de 2016, tendo a partir de então sido extinta.
Ou seja, com a criação do TAD a comissão arbitral paritária foi extinta a 31 de Julho de 2016, ficando o TAD com essas competências. Este processo de extinção da Comissão arbitral paritária contou até com forte oposição do sindicato dos jogadores, como se pode ver de seguida:
Link da notícia (aqui)
Mas estes senhores tanto esgravataram que conseguiram recuperar a comissão arbitral, que entrou em funções a 28 de Março deste ano, num processo que ficou conhecido do grande público pelo facto de um dos escolhidos para essa comissão ser o senhor João Pinheiro, benfiquista e comentador da BTV.
Os benfiquistas Lúcio Correia e João Pinheiro
Dos três membros escolhidos para o nova comissão arbitral, dois são adeptos do Benfica. Com a denuncia que o blog “Tu Vais Vencer” fez sobre o senhor João Pinheiro, a Liga e o sindicato não tiveram outra opção senão mostrar a porta de saída a esse artista, que depois disso passou ainda a ser mais incisivo nas críticas a Bruno de Carvalho e ao Sporting. Aconselho a leitura do post do Blog “Tu Vais Vencer” (aqui) e de dois posts fiz sobre esse artista (aqui) e (aqui).

Talvez agora seja mais fácil aos leitores perceberem a necessidade de o polvo abraçar o maior número de áreas possíveis.

Uma completa ilegalidade

 

Como vimos em cima, de 1 de Julho de 2016 a 27 de Março de 2017 a única entidade competente para resolver estes casos era o TAD. Ora, se o jogador rescindiu com o Varzim a 21 de Fevereiro de 2017, o caso tem de ser resolvido pelo TAD e nunca pela comissão arbitral, que aliás só entrou em funções mais de um mês depois da rescisão do jogador.
Posto isto, qualquer pessoa compreenderá que na presente situação a Comissão Arbitral Paritária era, e é, incompetente para decidir do processo de oposição de reconhecimento de justa causa para efeitos desportivos.
Fica claro perante todo o país a incompetência – para não lhe chamar outra coisa – da Comissão Arbitral, que tudo fez para defender o Benfica mesmo sabendo que não tinha qualquer competência e legitimidade para apreciar o caso, num caso que está no TAD desde 28 de Fevereiro. Alguém me explica como é que o Varzim poderia ter dado entrada do processo na comissão arbitral que na altura nem sequer existia? Alguém me explica como é que a comissão arbitral decide este caso sem NUNCA ter ouvido ou notificado o Varzim de qualquer elemento processual?
Estamos perante um escândalo que tem de ser rapidamente resolvido com a demissão imediata de todos os membros desta comissão arbitral. Isto é brincar com o futebol português.

Benfica assina com o jogador

Link (aqui)
No passado dia 25 o Benfica anuncia Keaton Parks como reforço da sua equipa B. Com o objetivo de impedir a inscrição do médio para esta época, o Varzim interpôs uma providência cautelar e o TAD decidiu que a CAP não tem competência para julgar o caso, impedindo Keaton de ser inscrito por outro clube até que seja conhecida a decisão. Sustentada na aprovação da CAP, a Liga aceitou a inscrição de Keaton Parks e enviou a mesma para a FPF que teve outra leitura e baseou-se na decisão da TAD para recusar inscrever o jogador, já tendo notificado o Benfica.

Uma vergonha sem fim

Este caso é apenas mais um a somar a um sem fim de irregularidades preconizadas por alguém que sempre disse que o poder nas instâncias desportivas era mais importante do que os bons jogadores. E isso é provado todos os dia.
Importa referir que o Varzim tem defendido intransigentemente a sua posição e até vai apresentar na Liga uma queixa contra o Benfica. Segundo Pedro Faria, presidente do Varzim “o Benfica tem de ter mais respeito por uma instituição centenária como o Varzim”.
Em Janeiro o Benfica manifestou interesse no jogador. Em Fevereiro o jogador rescinde com o Varzim. Em Março é reactivada comissão arbitral paritária composta por “meninos queridos” e que de forma completamente ilegal, dá razão ao jogador e permite a sua inscrição pelo Benfica. E tudo isto acontece com a completa conivência da imprensa portuguesa. Obviamente, tudo isto é uma enorme coincidência.
De qualquer forma, já todos sabemos como é que o processo no TAD vai acabar, não fosse o famoso Ricardo Costa, o vice-presidente do conselho de arbitragem desportiva do TAD. Quem não se lembra dos quatro anos em que este artista esteve à frente do Conselho de Disciplina!?
Curiosamente, Ricardo Costa também é consultor da Abreu Advogados, a tal empresa que defende o Benfica no caso dos emails e de onde dois dos novos delegados da Liga saíram, como podem ver (aqui) e (aqui).
Link (aqui)

Coincidências…

PS: Adorava saber que escritório de advogados defende o atleta.

Creditos: Mister do Cafe