“Se ganhar à Juventus embala de vez”

“Soares e André parecem eu e Jardel” André Silva igualou Postiga como melhor marcador português do século

“É bonito ver André, um miúdo criado no FC Porto, a jogar. Esses jogadores dão sempre algo mais porque o FC Porto é diferente e eles sentem isso desde o início da carreira”
Artur Antigo avançado do FC Porto

Jogo com a Juventus pode determinar um FC Porto campeão. Ganhar a um colosso dá uma força muito grande, aponta, com memória: venceu em San Siro e a seguir foi golear (5-0) o Benfica na Luz

Lembra-sede Artur, avançado brasileiro contratado ao Boavista e que, em 1996/97 e 1997/98 fez dupla com Jardel? Claro que lembra, especialmente se apontar à Juventus e recordar um triunfo épico do FC Porto sobre um campeão italiano, no caso o AC Milan, em San Siro, por 3-2, com golos dos dois. Com 47 anos e alguns quilos a mais, Artur esteve no Dragão a ver o FC Porto-Tondela. E O JOGO apanhou-o.

Hoje assistiu a uma equipa com dois avançados, André

Silva e Soares. Conhecia este último?

— De ouvir falar! Muitas pessoas já o compararam comigo. Tem uma estrela muito grande, mas trabalha muito para ela aparecer. Quando estava 2-0, comentei que faltava o golo dele. Fechei a boca e ele marcou. Já ajudou o FC Porto e vai continuar a ajudar muito. E ainda vai crescer mais como jogador.

A dupla André/Soares convence-o? Que tipo de diferenças vê entre um e outro?

—São jogadores diferentes. André tem presença de área e sabe jogar fora dela também. É um miúdo para o futuro, da escola do FC Porto, da casa. É bonito ver esses jogadores criados aqui, dão sempre algo mais. Quando se passa por este clube, percebe-se que é um clube diferente, algo mágico. Aqui sente-se a diferença em relação a outros clubes e quem cresce aqui tem isso desde o começo. É uma mais-valia.

Volta ao Dragão na quarta,

para ver o FC PortoJuventus?

—Volto, claro. O FC Porto começou mal, mas a sequência de vitórias deu muita confiança. Um bom resultado com a

Juventus pode dar um gás determinante, porque a I Liga vai ser disputada até ao fim e acredito que vá ser o jogo na Luz a resolver.

O Artur esteve e marcou numa das mais históricas vitórias de um clube português com um italiano, ao ganhar 3-2 ao AC Milan em San Siro. Porque é que é tão difícil ganhar a clubes italianos?

—Na minha época nenhuma equipa portuguesa ganhava em Itália. Nós ganhámos e aquele jogo foi fundamental para a sequência da época. Provámos a nós mesmos que podíamos ganhar a qualquer equipa. Aquela vitória deu uma força tremenda, tanta que fomos discutir a Supertaça à Luz e marcámos cinco golos na casa do rival.

Acredita, então, que vencendo na Champions, o FC Porto está mais perto de ser campeão?

—Sim. Este é o jogo que pode dar o último gás que o FC Porto precisa. A Juventus é um grande rival, mas não é imbatível. E no Dragão mandamos nós. Uma vitória dará uma força muito grande para acabar a época em grande e vai mostrar aos jogadores que têm capacidade para ganhar a qualquer equipa.

O que falta a André Silva/ Soares para ser uma dupla do nível de Artur/Jardel?

—Em momentos do jogo, os dois têm coisas parecidas connosco. Eu visava muito à baliza, pegava na bola e ia para a área. Soares e André Silva fazem isso. E conseguem ter presença de área, como tinha Jardel.

Na equipa de 1996/97 só Iker e… Alex Telles

Se pudesse escolher um jogador da equipa atual para ter jogado com a do seu tempo, Casillas era o eleito. “Tivemos Wosniak, Eriksson, Hilário… Acho que Casillas cabia”, riu. “De resto era difícil. Tínhamos um grande plantel. Talvez Alex Telles. Não é por ser brasileiro, mas pela qualidade, porque bate bem”, explicou.

 

Fonte: Ojogo