“Se quando tive aquele momento não quis sair, imaginem agora”

Herrera, médio do FC Porto, falou em exclusivo a O JOGO. Mercado de transferências foi um dos temas abordados pelo internacional mexicano.

Médio confessa-se apaixonado por Portugal e, por isso, deseja ficar vários anos no FC Porto. Só pondera sair se Pinto da Costa lhe disser, porque, em quatro anos por cá, ninguém lhe falou de interessados.

Mais do que o capitão, sente-se uma referência do FC Porto?

-Talvez, porque vou fazer cinco anos no clube. Mas não me sinto mais do que os outros por ser o capitão. No balneário sou mais um e é assim que gosto que os companheiros me vejam. Agora, para os miúdos que estão nas camadas jovens, não sou só eu que sou uma referência. É o Brahimi, o Aboubakar, o Marega, o Marcano, o Tiquinho… podia nomear todos, mas é normal que as figuras que fazem mais golos sejam mais admiradas pelos miúdos. De qualquer forma, tens de ser um exemplo dentro e fora do campo. Também tens de o ser como pessoa, como pai, como filho… Tudo é importante.

Até quando se vê no clube?

-Já o disse muitas vezes que sou feliz aqui, a minha família também e até pensamos viver no Porto quando terminar a carreira. Por isso, espero continuar muitos anos aqui. Quero ficar na história do FC Porto, ganhando títulos e ajudando o clube a ser tão grande como no dia de hoje.

Como lida com os rumores do mercado de transferências que o envolvem?

-Não ligo muito às críticas, ao que as pessoas falam ou ao mercado, porque sei que são rumores. Nunca ninguém veio ter comigo e disse: “Herrera, x equipa quer contratar-te ou levar-te.” Nunca. Até que o presidente me diga: “Herrera, tens de ir embora…” [risos] Até que alguém me diga isso, continuo concentrado no FC Porto. Se na época passada, quando tive aquele momento [com o Benfica], não quis sair, imaginem agora que estou bem.

“Se Ronaldo e Messi não agradam a todos, imaginem o Herrera”

Herrera julga que nem todos os reparos que lhe fizeram após o jogo de 6 de novembro de 2016 foram justos. Sabe que ainda há quem não goste do seu jogo, mas lembra que até os melhores são alvo de discussão.

Foi muito criticado pelo lance que resultou no golo do empate do Benfica na última época. Foi o pior momento no FC Porto?

Apesar de ter sido criticado, de ter sido visto como o culpado [pelo resultado], não sinto que tenha sido o meu pior momento. Para ser sincero, acho que nunca passei um mau momento a nível pessoal.

Como viveu essa fase?

Foi um pouco difícil, porque nunca esperei tanta reação negativa. Nunca tinha recebido tantas mensagens no meu telefone como dessa vez [risos]. Eu nunca me senti culpado e não entendia porque diziam isso. Mas as críticas, a forma de ver o futebol de outras pessoas e as observações só te fazem bem ou mal consoante as encarares.

E como as recebeu?

Tento sempre encarar o positivo e o negativo da melhor maneira e tirar as minhas conclusões. Existiram pessoas que me escreveram que, se calhar, tinham razão. Agora, se lesse as mensagens e me colocasse com aquela postura de quem não aceita, isso só me iria fazer mal. Por isso, só tinha de esperar que passasse, porque é algo normal. Foi algo que me fortaleceu ainda mais para atualmente estar bem. Tive coisas de que não gostei e outras de que gostei, porque também tive pessoas a darem-me ânimo e agradeço-lhes por isso. Essas coisas só te podem fortalecer. Se não deixares, nunca te deitarão abaixo. Depende mais da forma de ver a vida e encarar as críticas.

Acha que se libertou daquele estigma de patinho feio da equipa?

Nunca pensei que fosse o patinho feio da equipa [risos]. Como digo, não sinto que seja o melhor nem o pior jogador. Mesmo tendo passado por uma situação como esta. Por algum motivo estou aqui e jogar no FC Porto não é jogar em qualquer equipa. O que está a acontecer agora não é porque queira calar a boca às pessoas e muito menos mostrar-lhes que estão erradas. Trabalho sempre para mim, para a minha família e para o clube. Se há pessoas que gostam do meu futebol, estou-lhes grato. Se há quem não goste, então… Se nem o Cristiano [Ronaldo] e o Messi agradam a toda a gente, imaginem o Herrera. [risos] A minha paixão é jogar. Não vejo o futebol como um trabalho. Graças a Deus, vivo disto, mas continuo a pensar como se fosse jogar para a rua. Não me custa acordar cedo para ir treinar ou para fazer estágio, porque quero é jogar à bola.

Fonte: Ojogo