Um Bacalhau à moda de Pedroto

Leopoldo Amorim recorda como o “Mestre” o convenceu a deixar um emprego numa empresa de tintas para jogar pelo F. C. Porto

Aos 19 anos, a vida de Leopoldo Amorim parecia mais do que definida. Acabava de assinar contrato com o Amarante e ia conciliar o futebol com o trabalho numa empresa de tintas. Até que um homem lhe mudou a rota – esse mesmo, José Maria Pedroto. “Fui chamado para uma reunião nas Antas e disseram-me: “Vais ser profissional e ganhar dois contos e quinhentos por mês. Nem pensei em mais nada”, recorda, salientando que, sem o “mestre”, talvez nunca tivesse sido profissional.

Certo é que foi e que, logo ao primeiro jogo, envergou a braçadeira de capitão. “Só mais tarde o Pedroto me disse porquê. Na altura houve lá uns problemas, três jogadores foram suspensos e ele escolheu-me por eu não estar envolvido naquela história”, conta.

Ora, em vez de o tranquilizar, o estatuto só lhe… aguçou os nervos. “O jogo até correu bem. Ganhámos 1-0 à CUF e eu estive bem, mas, nos primeiros dez minutos, andei perdido dentro de campo. Lembro-me que, antes do jogo, no balneário, o Pedroto disse-me para assobiar e eu nem isso conseguia”, lembra o “Bacalhau”, como um dia lhe chamou Djalma (“por ser muito magrinho”, diz) e, num instante, todos os outros.

O nome ficou – e as memórias também. Como a do campeonato do segundo escalão conquistado pelo Varzim, ou da última época como atleta, ao serviço do V. Guimarães, antes de enveredar pela carreira de treinador. De tudo, sobra uma mágoa: a de nunca ter sido campeão pelos azuis e brancos.

Passe curto
Nome: Leopoldo José Nogueira Amorim
Naturalidade: Porto
Idade: 19/11/1948 (68 anos)
Clubes que representou: F. C. Porto, Varzim e V. Guimarães
Principal título: um campeonato da antiga segunda divisão nacional

Fonte: JN
Imagem: Global Imagens