V. Guimarães-FC Porto, 0-2 (crónica)

Um FC Porto mais agressivo, mais contundente, mais Porto enfim, quebrou um jejum de três épocas sem vencer em Guimarães e superou o Vitória (0-2) numa das deslocações com maior grau de dificuldade na Liga.

Quinto triunfo consecutivo, melhor ciclo dos dragões na prova, Nuno Espírito Santo a levar a formação portista a uma pressão contínua sobre o líder Benfica. Tiquinho Soares mudou de lado para transmitir a força que se alastrou à equipa.

Muito Soares, mais André André, um imaculado Ivan Marcano, cinco mil adeptos no Berço, vários protagonistas de uma história com final feliz para o FC Porto após capítulos de sofrimento no Estádio D. Afonso Henriques.

O Vitória, limitado no seu leque de opções, vai sentindo a falta de quem? Tiquinho Soares, precisamente. Desde que o avançado rumou ao Dragão, a equipa de Pedro Martins não consegue marcar um golo. Empatou a zero com o Marítimo, perdeu em Paços de Ferreira (2-0) e não conseguiu evitar o mesmo desfecho na receção ao FC Porto (2-0).

Era previsível o sacrifício de Jesús Corona por parte de Nuno Espírito Santo, a favor de maior capacidade de choque no setor intermediário. Porém, o treinador do FC Porto foi mais longe e dobrou a parada: para além do mexicano, sentou Óliver Torres.

Héctor Herrera entrou para a meia direita, André André ofereceu a sua garra junto a Danilo Pereira e Brahimi foi a única constante, à esquerda.

Gaspar a deixar promessas pela direita

Do outro lado, Pedro Martins estreou Celis face ao impedimento de Hernâni (Marega também falhou o jogo, mas não tinha sido titular em Paços de Ferreira) e trocou João Aurélio por Bruno Gaspar. O lateral direito assumiria papel vital na produção ofensiva do Vitória.

O jogo começou exatamente por ali, com Bruno Gaspar a tirar proveito de uma indefinição na ala esquerda do FC Porto para tirar vários cruzamentos. Explicando: Brahimi não acompanhava o lateral e controlava à distância o extremo Hurtado, deixando Bruno Gaspar para Alex Telles. A estratégia nunca funcionou.

O ataque portista começou por depender de Maxi Pereira, que tinha Herrera a fletir para dentro, pertencendo ao uruguaio o primeiro de dois remates azuis e brancos na etapa inicial. Com o pé esquerdo, à figura de Douglas. Ao segundo ensaio, o golo.

O FC Porto, com grande agressividade sobre a bola e consequente volume de faltas, ia anulando os problemas criados pelo Vitória (sobretudo pelo tal flanco direito) e chegaria à vantagem num reflexo da crença de Tiquinho Soares.

Quem acreditaria naquela bola perdida?

No regresso à Cidade-Berço, que ainda tem saudades do generoso avançado, Soares voltou a assinar uma exibição de grande qualidade e desequilibrou os pratos da balança. Lance sem flagrante perigo, do pé esquerdo de Alex Telles para a cabeça de Herrera. André Silva rematou em esforço, desespero até. Depois houve um Tiquinho de fé.

A defensiva do Vitória ficou parada, achando que nada sairia dali, e o esboço de remate de André Silva encontrou pelo caminho Tiquinho Soares, que acreditou no lance e surgiu à frente de Douglas, tocando por cima do guarda-redes contrário.

Com três golos em dois jogos, o único reforço de Inverno do FC Porto – Kelvin regressou para sair de novo – já conquistou a massa associativa azul e branca.

O Vitória não merecia a desvantagem no marcador, por essa altura, e reagiu de imediato, ameaçando o empate entre o minuto 36 e a hora de jogo. A melhor ocasião pertenceu a Raphinha, com um remate rasteiro ainda antes do intervalo, levando a bola a passar a centímetros do poste.

A equipa de Nuno Espírito Santo aguentou a pressão vitoriana, manteve os níveis de intensidade elevadíssimos (7 faltas para os locais ao intervalo, 14 para os visitantes) e recuperou o controlo de jogo quando o técnico desfez a sua dupla de ataque: saiu André Silva, entrou Jesús Corona ao minuto 65.

FC Porto sentiu-se bem na pele antiga

O FC Porto passou para o seu tradicional 4x3x3, numa altura em que o Vitória já ia denotando sinais de fadiga e falta de soluções. A partir daí, se tal fosse necessário, os dragões justificaram o triunfo na plenitude e criaram diversas oportunidades para chegar à tranquilidade.

Nuno tinha no banco o que Pedro Martins não parecia encontrar no seu: alternativas de grande qualidade. Jesús Corona, depois Diogo Jota, por fim Óliver Torres.

Com uma reta final de nível elevadíssimo, o FC Porto assumiu o domínio no setor intermediário (melhor Herrera ali, a par de um bom André André) e Douglas Jesus foi adiando o 2-0 até ao limite das suas possibilidades.

Felipe, Danilo Pereira e Diogo Jota, por duas vezes, lançaram sérias ameaças à baliza do Vitória de Guimarães. Curiosamente, seria um erro do próprio Douglas a abrir caminho para o ponto final na partida.

Ao minuto 85, o guarda-redes procurou lançar um ataque com as mãos. Alex Telles dominou a bola a meio-campo e fez um passe soberbo para Diogo Jota, já na linha central. Apenas com Douglas pela frente, o português cedido pelo Atlético Madrid arrumou a questão.

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